quinta-feira, 19 de março de 2015

Os três pregos na Cruz

O sorriso de Madre Teresa de Calcutá, sempre presente em toda e qualquer circunstância de sua vida, mesmo durante aqueles períodos de "noite escura", dos quais a bem-aventurada se lembrava com angústia em suas cartas, ainda hoje é capaz de impressionar. Quem olha para a imagem da beata enxerga o rosto de uma pessoa que, deixando-se consumir totalmente pelo fogo divino, fez desta nossa peregrinação terrestre um ato contínuo de amor e entrega a Deus. Ou seja, encontrou a felicidade, completando na própria carne as dores que faltaram aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja (cf. Cl 1, 24).
Certamente, um modelo de vida semelhante pode causar, não obstante admirações, grandes perplexidades. Ainda mais em uma sociedade que já não sabe lidar com o sofrimento. Como é possível ser feliz na dor? A resposta a essa pergunta está na cruz. A alegria do homem é fazer a vontade de Deus. Contudo, por se tratar de algo nem sempre fácil — ao contrário, consiste muitas vezes em um verdadeiro martírio —, o cumprimento dessa vontade exige um desprendimento heroico acerca de todo e qualquer apego, seja material seja afetivo. O exemplo primordial de abnegação vem, sobretudo, de Cristo no Horto das Oliveiras. Suando sangue, o Senhor diz: "Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua" ( Lc 22, 42).
Na vida de todos os santos se constata essa atitude do Jesus agonizante que, mesmo sofrendo, se regozija por cumprir o desejo do Pai. A confiança em Deus desperta no ser humano o dom do olhar sobrenatural, o qual ilumina o caminho para a verdadeira glória do céu. Como costumava dizer Santa Teresa d'Ávila, esta vida é como uma noite ruim, numa ruim pousada [1]. Nossa meta definitiva é, verdadeiramente, a eterna casa do Pai. Aqui, somos somente estrangeiros. Por isso São Paulo e Silas, dentro da prisão, mesmo diante da possibilidade da morte, cantavam um hino a Deus (cf. At 16, 25). Eles estavam convictos daquilo que Nossa Senhora também prometera em Lourdes a Santa Bernadette: "Não lhe prometo a felicidade neste mundo, somente no outro" [2].
Com efeito, o desapego das coisas puramente terrenas deveria ser uma meta para todo cristão decidido a agradar somente a Deus. "Quem me dera não estar atado senão por três pregos, nem ter outra sensação em minha carne que a Cruz" [3]. Era o que constantemente pedia São Josemaria Escrivá em suas meditações diárias. Neste propósito, o santo do cotidiano em nada menosprezava as obrigações e responsabilidades diárias do homem perante a sociedade. É fato que um verdadeiro cristão deve agir bem em todas os ambientes, transformando-os em ocasião de adoração perpétua a Deus. O que São Josemaria pedia era a graça de enxergar tudo como oportunidade de oblação ao Senhor, a sempre lembrar-se de que o fim de todas as nossas ações só pode ser um: o encontro com Jesus.
Foi este pensamento que encantou a então filósofa ateia Edith Stein, e a fez abandonar suas raízes judias para tomar o hábito das carmelitas. Ela compreendeu a ciência da cruz, por assim dizer, descobrindo o significado salvífico e redentor da paixão de Cristo. "O que nos salvará não serão as realizações humanas, mas a paixão do Cristo, na qual quero ter parte" [4]. Com estas palavras, a futura santa Teresa Benedita da Cruz renunciava ao seu prestigioso nome, à sua posição ao lado de um dos maiores filósofos modernos — Edmund Husserl —, aos seus bens materiais, a fim de alcançar a sétima morada, isto é, a plena conformação à vontade divina. A 2 de agosto de 1942, irmã Teresa cumpria seu desejo de tomar parte na paixão de Cristo, oferecendo-se em holocausto, durante o martírio no campo de concentração nazista, em Auschwitz.
Na homilia de sua canonização, o Papa João Paulo II assim descreveu o itinerário de conversão da santa [5]:
O amor de Cristo foi o fogo que ardeu a vida de Teresa Benedita da Cruz. Antes ainda de se dar conta, ela foi completamente arrebatada por ele. No início, o seu ideal foi a liberdade. Durante muito tempo, Edith Stein viveu a experiência da busca. A sua mente não se cansou de investigar e o seu coração de esperar. Percorreu o árduo caminho da filosofia com ardor apaixonado e no fim foi premiada: conquistou a verdade; antes, foi por ela conquistada. De facto, descobriu que a verdade tinha um nome: Jesus Cristo, e a partir daquele momento o Verbo encarnado foi tudo para ela. Olhando como Carmelita para este período da sua vida, escreveu a uma Beneditina: "Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus".
A beleza do sorriso de Madre Teresa, o canto de Silas e São Paulo, a santificação no meio do mundo de São Josemaria Escrivá, o martírio de Santa Teresa Benedita da Cruz. Todas essas realidades, cuja eloquência do testemunho não nos deixa indiferentes, têm sua origem e fim no desprendimento das coisas da terra. Quem coloca seu coração em Deus transmite a luz de Cristo em sua face e atrai os outros para o céu — "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim", escreve São Paulo aos Gálatas (2, 20).
A única coisa que deve nos prender a este mundo são os três pregos da cruz. Essa é a nossa meta cristã.
Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog

quinta-feira, 12 de março de 2015

O Desejo de encontrar Deus


“A quem iremos? A Peregrinação e a experiência da fé”

Por Padre Carlos Cabecinhas (reitor do Santuário de Fátima)


  “A peregrinação é uma experiência religiosa universal”, não sendo um exclusivo do cristianismo, já que “todas as grandes religiões conhecem a prática da peregrinação”. A diferença cristã está em que “ao contrário do que acontece, por exemplo, no Islamismo ou no Judaísmo, no cristianismo a peregrinação não é um dever, é sempre ato livre, que brota da vontade do próprio crente”.
Num percurso pela história da espiritualidade e pelos elementos constitutivos do ato peregrinante, sendo eles “o peregrino, o caminho e o lugar santo ou santuário, meta da peregrinação”, o padre Carlos Cabecinhas concluiu que “a peregrinação pode definir-se como viagem por motivo religioso em que é a motivação que a distingue de outro tipo de viagem” 
Que motivações levam alguém a peregrinar?
Para o Reitor podem ser diversas: “Uma motivação é pedir uma graça específica: uma cura, uma iluminação, um novo impulso espiritual. Outra é a gratidão: vai-se em peregrinação agradecer uma graça recebida. Há peregrinos que se lançam ao caminho com sentido penitencial, para expiar os próprios pecados mas, sobretudo, para poder recomeçar. Porém, uma das razões principais que leva o peregrino a partir em peregrinação, e que é transversal às outras motivações apresentadas, é o desejo de encontrar Deus de forma mais direta do que na vida ordinária e a convicção de que isso é mais fácil na caminhada e em certos lugares específicos”.
Outra abordagem realizada pelo conferencista aconteceu por meio de um percurso pelos principais textos bíblicos com narrações ou descrições relacionadas com experiências de peregrinação nas Escrituras. 
“O caminho para Deus não é um conjunto de normas ou de leis: o caminho é uma pessoa, Jesus Cristo, porque é o único mediador entre Deus e o homem e constitui o único acesso a Deus”, concluiu o Reitor.
Quanto às dimensões mais importantes para uma espiritualidade da peregrinação, o Reitor do Santuário de Fátima destaca seis: a dimensão escatológica, a penitencial, a festiva, a cultual, a apostólica e a de comunhão.
“Na peregrinação a Fátima, a dimensão penitencial é particularmente importante. Na homilia do dia 13 de maio de 1982, o Papa João Paulo II afirmava: ‘A mensagem de Fátima, no seu núcleo fundamental, é o chamamento à conversão e à penitência […] O chamamento à penitência, como sempre, anda unido ao chamamento à oração’”, disse.
Quanto às quatro etapas da peregrinação, “são um paradigma da vida de fé: a partida, a caminhada, a permanência no Santuário, meta da peregrinação, e o regresso”. 
“O momento do regresso não é simplesmente uma despedida do santuário, a assinalar o fim da peregrinação: é sobretudo um envio, uma missão”.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O cientista não tem como excluir a Deus


O Dr. Francis Sellers Collins nasceu em Staunton, estado de Virginia, EUA, em 14 de abril de 1950, e se tornou um dos cientistas mais respeitados do século.
Numa entrevista à CNN que ficou para a história, ele descreveu como abandonou o ateísmo e passou a acreditar em Deus.
Collins doutorou-se em Química e Física na prestigiosa Universidade de Yale, e em Medicina na Universidade de Carolina do Norte. 
Foi diretor do Projeto Genoma Humano de 1993 até 2008, substituindo o Prêmio Nobel James D. Watson como diretor do National Center for Human Genome Research dos EUA. Ele é um dos responsáveis por um feito espetacular da ciência moderna: o mapeamento do DNA humano, em 2001, o código da vida. 
Ele é tido como o cientista que mais rastreou genes com a finalidade de encontrar tratamento para diversas doenças. 
Collins ficou conhecido porque passou a defender, como é razoável, que a investigação do mundo natural não impede a profissão da fé religiosa. 

Criticado por colegas que na sua maioria negam a existência de Deus, Collins lançou em 2006 o livro The Language of God: A Scientist Presents Evidence for Belief (A linguagem de Deus: um cientista apresenta provas para crer). 

Nas quase 300 páginas da obra, o biólogo conta como deixou de ser ateu para se tornar cristão e narra as dificuldades que enfrentou no meio acadêmico ao revelar sua fé.


Porém, ele ficava preso nas atividades materiais e achava que o ateísmo era a posição “mais correta”. 
Ele também estudou mecânica quântica e queria acreditar que o universo se explica com equações. 

Collins virou um ponto de referência nas discussões existenciais e relativistas dos círculos intelectuais americanos dos anos 70.

Quando tinha 27 anos, praticando a medicina testemunhou a dor e a esperança de pacientes que lhe faziam pensar nessa Pessoa na qual ele se recusava acreditar.
Após meses de luta interior, num dia de outono, caminhando por um bosque do noroeste dos EUA, “com meu intelecto um pouco mais claro que de costume, eu percebi que não podia seguir me resistindo e passei a crer”, contou. 
Collins não ficou católico, mas protestante, porém a descrição de seu itinerário espiritual é da alma que procura sincera e gradualmente a verdade. 

Muito diversa atitude dos que denigram aqueles que aderiram sem reservas Àquele que é “o Caminho, a Verdade e a Vida” na Igreja Católica.

Em seu livro A linguagem de Deus ele explica que “uma das grandes tragédias do nosso tempo é a impressão criada de que a ciência e a religião têm que estar em guerra uma com a outra”.
Pelo contrário, segundo ele, investigando a “majestosa e impressionante obra de Deus, a ciência pode servir realmente de meio para glorificá-lO”.

Francis Collins ganhou numerosos prêmios e honras, incluindo a eleição para o Instituto de Medicina (Institute of Medicine) e a Academia de Ciências Norte-Americana (National Academy of Sciences).
Também foi galardoado com o Prêmio espanholPríncipe de Astúrias de investigação científica e técnica em 2001. 

Em 2009 foi feito membro da Academia Pontifícia das Ciências pelo Papa Bento XVI, e recebeu a Encomenda Presidencial da Liberdade das mãos do presidente dos EUA. 


“Como cientista que tem fé, eu descubro na exploração da natureza uma via para compreender melhor a Deus. Pode-se encontrar a Deus no laboratório, além de numa catedral”.

Fonte: http://cienciaconfirmaigreja.blogspot.com.br


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Dica de Livro: Subir a Montanha

Seis Semanas de Caminhada com Jesus

Subir a Montanha é um comentário litúrgico para todos os dias da Quaresma, que são uma subida para o Calvário e , sobretudo, para a Ressurreição.  Com arte, com muita piedade e maestria, a autora ajuda-nos a subir a montanha, na oração, na contemplação, na penitência, nos desejos grandes de caminharmos para Cristo e nos deixarmos ressuscitar com Ele.
Cada dia, com uma bela e bem organizada meditação, vamos subindo, caminhando, para que em nós haja acontecimentos de salvação, para que o Espírito realize em nós a Páscoa de Jesus.
Que todos, subindo a montanha, nos juntemos a celebrar a Ressurreição.
                                                                                                    Pe. Dário Pedroso S.J.

Autora: Maria Stella Salvador
Editora Paulus.

Foto: Calvário Húngaro - Caminho dos Pastorinhos , Fátima - Portugal.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Mãos ensanguentadas de Jesus

Irmãos vamos viver a Santa Quaresma na Aliança Eterna meditando nas mãos de Jesus, mãos que consolaram e sempre estendida para Servir. Cada terça feira será uma meditação sobre as mãos de Jesus, que também vão estar estendida para ajudar a Você.
No Grupo de Oração Aliança Eterna, toda terça-feira, às 20h, na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, Rua Riachuelo, 280, Campos dos Goytacazes.                                                    
                                                                                                              

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Festa Litúrgica de Francisco e Jacinta Marto


No dia 20 de Fevereiro, celebra-se a Festa Litúrgica dos Pastorinhos de Fátima. Para assinalar esta data o Santuário de Fátima preparou um programa próprio.
As celebrações começam no dia 19 com a oração de Vésperas dos Beatos Francisco e Jacinta Marto, na Capela do Santíssimo Sacramento, pelas 17:30. Neste mesmo dia, às 21:30, na Capelinha das Aparições, haverá a Vigília dos Beatos Francisco e Jacinta Marto.
O dia 20 tem início às 10:00 na Capelinha das Aparições com a recitação do terço, seguido de procissão para a Basílica da Santíssima Trindade, onde será celebrada a Eucaristia, presidida por D. António Marto, bispo da Diocese de Leiria-Fátima, pelas 11:00.
A tarde será dedicada às crianças, tendo início às 14:00 com o acolhimento. Pelas 14:30, terão um momento de reflexão sob o tema “Encontro com os Pastorinhos” e terminará com a recitação do terço, pelas 15:00.
Neste mesmo dia, o Santuário de Fátima promove a realização de um concerto evocativo dos três videntes de Fátima, sob o tema “Sem amor nenhuns olhos são videntes”. Terá lugar na Sé Patriarcal de Lisboa, pelas 21:00. O ponto alto do concerto é a estreia Nacional da peça musical “Drei Hirtenkinder aus Fatima – Os Três Pastorinhos de Fátima”, da autoria de Arvo Pärt.
Para podermos compreender melhor e dar a conhecer esta Festa Litúrgica e a sua importância para nós, homens e mulheres de hoje, estivemos à conversa com a irmã Ângela Coelho, vice-postuladora da causa de Canonização de Francisco e Jacinta Marto.
Agradecemos à Irmã Ângela a disponibilidade com que nos acolheu e por nos ter ajudado a perceber melhor a mensagem envolvente destas aparições, que não é apenas um pedido para rezar mais, mas um pedido para “dispor-se a oferecer a sua vida pelos que se afastaram do amor de Deus. No fundo, é aceitar participar da missão redentora de Jesus, de congregar tudo e todos na casa de Deus”, nas palavras da Ir. Ângela.
Entrevista por Sandra Dantas, Centro de Comunicação do Santuário de Fátima.
Porquê o dia 20 de fevereiro para celebrar a Festa Litúrgica dos Pastorinhos?
Irmã Ângela Coelho - A escolha do dia 20 de fevereiro para a celebração litúrgica dos Beatos Francisco e Jacinta prende-se com o facto de nesse dia se recordar a morte da Jacinta, a última dos dois irmãos a falecer. As festas litúrgicas dos santos recaem muito frequentemente no dia da sua morte que, na comunidade eclesial, é tido como o dies natalis, o dia do nascimento para a vida eterna. No caso do Francisco e da Jacinta, optou-se por evocar a sua memória na data da mais nova dos dois videntes de Fátima.
Qual o sentido desta Festa para a Igreja e para o Mundo?
Irmã Ângela Coelho - Celebrar a santidade de um servo de Deus é celebrar, primeiro, a santidade de Deus, o todo Santo que santifica cada mulher e cada homem dispostos a acolher o dom da sua graça. No caso concreto da celebração litúrgica do Francisco e da Jacinta, damos graças a Deus pela forma muito particular como viveram a sua vocação à santidade. Olhando hoje a vida destas duas crianças conseguimos intuir que viveram os apelos com que Nossa Senhora os desafiou, de tal forma que olhá-los é olhar uma concretização da mensagem de Fátima.
A festa dos Beatos Francisco e Jacinta há de ser também estímulo para a nossa própria vocação à santidade, para a nossa disponibilidade para acolher com confiança a vontade de Deus e os seus desígnios de misericórdia. Ao mesmo tempo, é estímulo à oração e à confiança na intercessão destes dois amigos de Deus, através de quem confiamos as nossas alegrias e dores a Deus.
A mensagem que os Pastorinhos escutaram de Nossa Senhora e transmitiram ao mundo não está circunscrita num determinado tempo histórico?
Irmã Ângela Coelho - Os pastorinhos acolheram a mensagem de Nossa Senhora num contexto histórico particular e importa não perder este contexto de vista, na medida em que ele é o destinatário primeiro da mensagem de Fátima e a sua compreensão facilita-nos chaves de leitura para a mensagem. Tem já sido frequentemente sublinhado que Fátima, no conjunto das aparições marianas, é aquela que apresenta uma das mensagens mais proféticas e políticas. De facto, percorrer as Memórias da Irmã Lúcia é descobrir também o olhar de esperança que Deus lança sobre o século que passou: um olhar realista sobre o drama do sofrimento e do pecado, mas um olhar pleno de esperança e de misericórdia.
Isto não significa, no entanto, que esta mensagem não tenha já lugar no nosso tempo. Se Fátima não faz outra coisa que sublinhar a boa nova do Evangelho – e podemos reconhecer os muitos traços evangélicos da mensagem de Fátima: a oração, a conversão, a vivência teologal, a adoração e conformação da vida com Deus... – é, então, de esperar que a sua mensagem seja de sempre e para sempre. Ninguém ousaria desclassificar a atualidade da mensagem de Fátima quando aquilo que nela se sublinha é o apelo a encontrar-se no amor de Deus e a comprometer-se com ele.
Nas aparições, Nossa Senhora pede aos Pastorinhos que façam sacrifícios pelos pecadores. Este pedido ainda faz sentido no nosso tempo?
Irmã Ângela Coelho - Temos hoje receio da palavra «sacrifício», que nos incomoda e nos parece estranha. E, no entanto, o sacrifício é a dinâmica em que se dá a vida. Basta recordarmos o momento do nascimento de uma vida humana para compreendermos que o dom da vida implica o sacrifício pelo outro.
Sacrificar-se pelos pecadores não é outra coisa do que dispor-se a oferecer a sua vida pelos que se afastaram do amor de Deus. No fundo, é aceitar participar da missão redentora de Jesus, de congregar tudo e todos na casa de Deus.
Para além de ser a forma de assumir corajosamente a realidade da vida, o sacrifício pedido em Fátima é também um exercício com que os pastorinhos, primeiro, mas também cada um de nós, hoje, somos chamados a polir a nossa liberdade para a gratuidade e o dom de toda a nossa existência a Deus pelos irmãos.
Qual é o ponto da situação do Processo de Canonização da Irmã Lúcia? E do Francisco e da Jacinta?
Irmã Ângela Coelho - Os processos de beatificação e canonização são processos frequentemente morosos, que exigem um estudo aprofundado das vidas dos servos de Deus, e a confiança, por parte dos fiéis, na sua fama de santidade. Basta recordar que os processos de beatificação do Francisco e da Jacinta deram os seus primeiros passos em 1952 e foi apenas em 1989 que o seu decreto da heroicidade das virtudes foi assinado pelo Papa João Paulo II, abrindo caminho à beatificação que aconteceu no ano 2000, depois de comprovado um primeiro milagre alcançado pela sua intercessão.
O processo de beatificação da Lúcia encontra-se ainda na fase diocesana. Trata-se de um exigente estudo da vida da Lúcia, dos seus escritos, dos testemunhos que se recolheram, para que ela possa ser proposta como exemplo de fé cristã amadurecida. Continuamos a trabalhar neste processo.
Quanto ao processo de canonização dos Beatos Francisco e Jacinta, falta apenas que um milagre se dê através da sua intercessão. Entretanto, o nosso trabalho é o de difundir o seu exemplo de vida e de suscitar nas pessoas a confiança na amizade com Deus destas duas crianças de Fátima.
Será possível definir cada um dos Pastorinhos com apenas uma palavra?
Irmã Ângela Coelho - Embora breves, as vidas de Jacinta e de Francisco são de uma tal riqueza espiritual que qualquer definição breve das suas vidas será sempre demasiado redutora. Ainda assim, se quiséssemos encontrar a palavra que melhor define cada um dos Pastorinhos, arriscaria a dizer que a Jacinta se define pela «compaixão», o Francisco pela «contemplação» e a Lúcia pela «fidelidade».

Fonte: http://www.santuario-fatima.pt

sábado, 6 de dezembro de 2014

Santuário da Beata Alexandrina de Balasar

 Quem vai a Portugal, principalmente com intuito de realizar também um turismo religioso, acaba sendo absorvido pela Peregrinação indispensável ao Santuário de Fátima, bem como aos pelos Santuários de Braga, pelos Mosteiros que são  Patrimônios da Humanidade pela UNESCO, que se distribuem por toda Portugal (como os de Batalha, Alcobaça, Lisboa, Tomar, para citar alguns), como não dar um pulo bem rápido em Santarém e contemplar o Milagre Eucarístico tão de pertinho?  
Porém...muitos passam bem longe, apesar de ser caminho de muitos locais de turismo, da vila pequenina e talvez escondida de Balasar, situada na região de Póvoa de Varzim (distando por alto 32km de Braga). Seja por desconhecimento da existência desse local (até mesmo os próprios portugueses nunca ouviram falar!!) e o que nele há, seja por difícil acesso (nada que um GPS não resolva),  e talvez o principal motivo a  falta de divulgação da vida e menssagem da Beata Alexandrina.
Balasar hoje conta com um Santuário erigido em honra a essa Beata, com um testemunho de vida cristã incrível. Não somos teólogos, mas falamos sem medo de errar que pode ser uma das grandes místicas de nossa Igreja. Compõe no Santuário uma Igreja com Adoração Eucarística perpétua, dispostos nas laterais da Igreja estão em exposição permanente os objetos usados durante a vida da Beata. Na lateral, ao lado do Altar encontramos o Túmulo de Alexandrina, local mais visitado e as Relíquias da própria e dos Beatos Jacinta e Francisco Marto, a quem tinha uma grande devoção.
Logo à frente da Igreja, a uns 50 metros temos uma minúscula Capela que protege a Cruz de Terra que apareceu naquele solo milagrosamente alguns anos antes do nascimento de Alexandrina (vide a história abaixo). Onde se reza e contempla a Via Sacra constantemente em grupos que se revezam em horários específicos.
Saíndo do Santuário, bem próximo, em uma região chamada de Calvário, subindo uma pequena colina, nos deparamos com a casa de Alexandrina, aberta a visitação do público. Onde a mesma viveu por anos acamada. Em frente a sua casa uma Construção que abriga uma Fundação que leva seu nome.
Segue algumas fotos desse lindo e singelo Santuário, que sem dúvida nenhuma ao visitá-lo, você sairá com uma bela reflexão sobre o amor de Deus.                                         

                                                          Interior da Igreja - Altar Principal








                     Túmulo da Beata Alexandrina, localizado na lateral do Altar Principal da Igreja


                      Túmulo da Beata Alexandrina, localizado na lateral do Altar Principal da Igreja






                                      Área externa do Santuário em honra a Beata Alexandrina

 Quarto da Beata Alexandrina onde ela passou longos anos de sua vida acamada e onde teve experiências místicas. O quarto apresenta-se com a mesma decoração e objetos da Beata Alexandrina tal qual eram na época de sua vida.

           Pequeno altar no interior do quarto da Beata, onde se celebra ocasionalmente a Santa Missa.

 Janela da casa de Alexandrina que ela pulou para proteger sua pureza e que a deixou paraplégica para o resto da vida.

 Familiares da Beata na escadaria que dá acesso a sua casa. Que se conserva até hoje, bem como todo o interior de sua casa, mantêm-se conservados tal qual  como eram.

             Criado mudo da sua cama, com a caneca que Alexandrina usava nos seus acessos de tosse.

Como chegar:
VIAS RODOVIÁRIAS
Auto-estrada LN A28: Porto-Viana do Castelo
• Saída 15 (Vila do Conde/Guimarães/Famalicão)
• Ligação à EN 206 (Beiriz/Touguinha) (Balasar a 12km da saída)

Auto-estrada A7: Vila do Conde-Vila Pouca de Aguiar
• Saída 3 (Rio Mau)
• Ligação à EN 206 (Balasar a 8km da saída)

Auto-estrada A3: Porto-Valença
• Saída 7 (Cruz)
• Ligação à EN 206 (Balasar a 19km da saída)

Estrada Nacional 13: Maia – Valença
• Ligação com EN 206 em Vila do Conde (Balasar a 14km da saída)

Estrada Nacional 104: Vila do Conde – Santo Tirso


CONTACTOS
AEROPORTO FRANCISCO SÁ CARNEIRO (Porto)
www.ana.pt
Tel.: (00 351) 229 432 400
E-mail: flyopo@ana.pt
(Dista 32 km de Balasar.)

RODOVIÁRIA D`ENTRE DOURO E MINHO SA (Vila Nova de Famalicão)
Tel: (00 351) 252 322 820
(Dista 15km de Balasar.)

RODOVIÁRIA D`ENTRE DOURO E MINHO SA (Póvoa de Varzim)
Tel: (00 351) 252 618 400
(Dista 19km de Balasar.)

METRO DO PORTO (Póvoa de Varzim)
www.metrodoporto.pt
Tel.: 225 081 000 / 808 20 50 60
E-mail: metro@metro-porto.pt
(Dista 19km de Balasar.)

COMBOIOS DE PORTUGAL (Trofa/V.N.Famalicão)
www.cp.pt
Tel.: 808 208 208 / 00 351 707 201 280
(Dista 12km de Balasar.)

CENTRAL TAXIS (Praça do Almada, Póvoa de Varzim)
Tel.: 252 622 364
Tel.: 252 621 066
(Dista 19km de Balasar.)

TAXIS (Balasar)
Tel.: 91 754 07 45
Tel.: 91 970 59 80

Acesse o site do Santuário e saiba mais sobre a vida dessa Beata:  http://www.alexandrinadebalasar.com

Um resumo de sua vida (retirado do site do Vaticano - http://www.vatican.va):

ALEXANDRINA MARIA DA COSTA nasceu em Balasar, Póvoa de Varzim, Arquidiocese de Braga, no dia 30 de Março de 1904, e foi baptizada no dia 2 de Abril, Sábado Santo. Foi educada cristãmente pela mãe, junto com a irmã Deolinda. Alexandrina viveu em casa até aos 7 anos. Depois foi para uma pensão dum marceneiro na Póvoa de Varzim a fim de frequentar a escola primária que não existia em Balasar. Fez a primeira comunhão na sua terra natal em 1911 e no ano seguinte recebeu o sacramento da Crisma pelo Bispo do Porto.
Passados 18 meses, voltou a Balasar e foi morar com a mãe e a irmã na localidade do “Calvário”, onde irá permanecer até à morte.
Robusta de constituição física, começou a trabalhar nos campos, equiparando-se aos homens e a ganhar o mesmo que eles. A sua infância foi muito viva: dotada de temperamento feliz e comunicativo, era muito querida pelas colegas. Aos 12 anos, porém, adoeceu: uma grave infecção (uma febre tifóide, talvez) colocou-a quase à morte. Superou a doença, mas a sua saúde ficou abalada para sempre.
Aos 14 anos aconteceu um facto que seria decisivo para a sua vida.
Era Sábado Santo de 1918. Nesse dia, ela, a irmã Deolinda e mais uma mocinha aprendiz, estavam a trabalhar de costura, quando perceberam que três homens tentavam a entrar na sala onde se encontravam. Embora estivessem fechadas, os três homens forçaram as portas e conseguiram entrar. Alexandrina, para salvar a sua pureza ameaçada, não hesitou em atirar-se pela janela, de uma altura de quatro metros. As consequências foram terríveis, embora não imediatas. De facto, as várias visitas médicas a que foi sucessivamente submetida diagnosticaram, cada vez com maior clareza, um facto irreversível.
Até aos 19 anos pôde ainda arrastar-se até a igreja, onde gostava de ficar recolhida, com grande admiração das pessoas. A paralisia foi avançando cada vez mais, até que as dores se tornaram insuportáveis; as articulações perderam qualquer movimento; e ela ficou completamente paralisada. Era o dia 14 de abril de 1925 quando Alexandrina ficou definitivamente de cama. Ali haveria de passar os restantes 30 anos de sua vida.
Até 1928 não deixou de pedir a Deus, por intercessão de Nossa Senhora, a graça da cura, prometendo que se sarasse partiria para as missões. Depois compreendeu que a sua vocação era o sofrimento. Abraçou-a prontamente. Dizia: “Nossa Senhora concedeu-me uma graça ainda maior. Depois da resignação deu-me a conformidade completa à vontade de Deus e, por fim, o desejo de sofrer”.
São desse período os primeiros fenómenos místicos: Alexandrina iniciou uma vida de grande união com Cristo nos Tabernáculos, por meio de Nossa Senhora. 
Um dia em que estava só, veio-lhe improvisamente este pensamento: “Jesus, tu és prisioneiro no Tabernáculo. E eu por tua vontade prisioneira na minha cama. Far-nos-emos companhia”. Desde então começou a primeira missão: ser como a lâmpada do Tabernáculo. Passava as noites como em peregrinação de Tabernáculo em Tabernáculo. Em cada Missa oferecia-se ao Eterno Pai como vítima pelos pecadores, junto com Jesus e segundo as suas intenções.
Quanto mais clara se tornava a sua vocação de vítima tanto mais crescia nela o amor ao sofrimento. Comprometeu-se com voto a fazer sempre o que fosse mais perfeito.
De sexta-feira, 3 de Outubro de 1938 a 24 de Março de 1942, ou seja por 182 vezes, viveu, em todas as sextas-feiras, os sofrimentos da Paixão: Alexandrina, superando o estado habitual de paralisia, descia da cama e com movimentos e gestos, acompanhados de angustiantes dores, repetia, por três horas e meia, os diversos momentos da Via Crucis.
“Amar, sofrer, reparar” foi o programa que o Senhor lhe indicou. Desde 1934, a convite do padre jesuíta Mariano Pinho, que a dirigiu espiritualmente até 1941, Alexandrina punha por escrito tudo quanto, vez por vez, lhe dizia Jesus.
Em 1936, por ordem de Jesus, pediu ao Santo Padre, através do P. Pinho, a consagração do mundo ao Coração Imaculado de Maria. Este pedido foi renovado várias vezes até 1941, pelo que a Santa Sé interrogou três vezes o Arcebispo de Braga a respeito de Alexandrina. No dia 31 de Outubro de 1942, Pio XII consagrou o mundo ao Coração Imaculado de Maria com uma mensagem transmitida de Fátima em língua portuguesa. Este acto foi repetido em Roma na Basílica de São Pedro no dia 8 de Dezembro do mesmo ano de 1942.
Depois de 27 de Março de 1942, Alexandrina deixou de se alimentar, vivendo exclusivamente da Eucaristia. Em 1943, por quarenta dias e quarenta noites, foram rigorosamente controlados por médicos o jejum absoluto e a anúria, no hospital da Foz do Douro, no Porto.
Em 1944, o novo director espiritual, P. Umberto Pasquale, salesiano, após constatar a profundidade espiritual a que tinha chegado, animou Alexandrina a continuar a ditar o seu diário; fê-lo com espírito de obediência até à morte. No mesmo ano de 1944 Alexandrina inscreveu-se na União dos Cooperadores Salesianos. E quis pôr o seu diploma de Cooperadora «em lugar bem visível a fim de o ter sempre debaixo dos olhos» e colaborar com o seu sofrimento e as suas orações para a salvação das almas, sobretudo juvenis. Rezou e sofreu pela santificação dos Cooperadores Salesianos de todo o mundo.
Apesar dos sofrimentos, continuava a dedicar-se aos problemas dos pobres, do bem espiritual dos paroquianos e de muitas outras pessoas que a ela recorriam. Promoveu em sua paróquia tríduos e horas de adoração.
Especialmente nos últimos anos de vida, muitas pessoas, vindas de longe, atraídas pela fama de santidade, visitavam-na; muitas atribuíam a própria conversão aos seus conselhos.
Em 1950, Alexandrina festejou o 25º ano de sua imobilidade. E em 7 de Janeiro de 1955 foi-lhe preanunciado que aquele seria o ano da sua morte. De facto, dia 12 de Outubro quis receber a unção dos enfermos. E dia 13, aniversário da última aparição de N. Sra. de Fátima, ouviram-na exclamar: “Sou feliz porque vou para o céu”. Às 19h30 expirou.
Sobre a sua campa podem ler-se estas palavras por ela tão desejadas:
“Pecadores, se as cinzas do meu corpo puderem ser úteis para a vossa salvação, aproximai-vos: passai todos por cima delas, pisai-as até desaparecerem, mas não pequeis mais! Não ofendais mais o nosso Jesus! Pecadores, queria dizer-vos tantas coisas. Não bastaria este grande cemitério para escrevê-las todas! Convertei-vos! Não queirais perder a Jesus por toda a eternidade! Ele é tão bom!... Amai-O! Amai-O! Basta de pecar!”.
É a síntese da sua vida gasta exclusivamente para salvar as almas.
No Porto, na tarde do dia 15 de Outubro, os vendedores de flores viram-se sem nenhuma flor branca: todas tinham sido vendidas para a homenagem floral a Alexandrina, que tinha sido a rosa branca de Jesus.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O que é o ano da Vida Consagrada?



O Papa Francisco quis destacar novamente a relevância do Ano da Vida Consagrada que começou no dia 30 de novembro, primeiro domingo do Advento e terminará no dia 2 fevereiro de 2016, enviando uma carta a todos os consagrados.
Na carta, o Santo Padre deseja que os consagrados “despertem o mundo”, pois a principal característica da vida consagrada é a profecia. A carta enumera os objetivos da celebração e se inspira na Exortação “Vida Consagrada” que São João Paulo II publicou em 1996.
Para o Santo Padre existem, sobretudo, três objetivos na realização da própria vocação. Entre eles, “olhar o passado com gratidão” para “manter viva a própria identidade, sem fechar os olhos para as incoerências, fruto das fraquezas humanas, e inclusive de qualquer esquecimento de alguns aspectos essenciais do carisma”.
O segundo objetivo é “viver o presente com paixão”, assim como “o Evangelho em plenitude e com Espírito de comunhão” e por último, como o terceiro objetivo está “abraçar o futuro com esperança, sem desanimar–se por tantas dificuldades que se encontram na vida consagrada a partir da crise vocacional”.
Por outro lado, o Papa adverte que não se deve “ceder à tentação dois números e da eficiência, e menos ainda à tentação de confiar nas vossas próprias forças”.
“A inventiva da caridade não conheceu limites e soube abrir inúmeras estradas para levar o sopro do Evangelho às culturas e aos setores sociais mais diversos”. Por isso, “saber transmitir a alegria e a felicidade da fé vivida na comunidade faz a Igreja crescer por capacidade de atração”.
O Santo Padre reconheceu que “é o testemunho do amor fraterno, da solidariedade, da partilha, o que dá valor à Igreja. Uma Igreja deve ser forjada por profetas, e como tal, capaz de perscrutar a história em que vive e interpretar os acontecimentos, denunciando o mal do pecado e das injustiças”.
Na carta, o Papa espera que os consagrados não vivam das “utopias”, mas saibam criar “outros lugares” onde se viva a “lógica evangélica do dom, da fraternidade, da diversidade, do amor recíproco”.
Para o Papa, o Ano da Vida Consagrada é uma ocasião propícia para que haja uma “colaboração estrita entre as diferentes comunidades” na “acolhida dos refugiados, na proximidade aos pobres, no anúncio do Evangelho, e na iniciação à vida de oração”.
Na carta, o Papa também dirige umas palavras aos leigos que, junto aos consagrados “compartilham ideais, Espírito e missão”.
Por outro lado, o Pontífice pede aos bispos que estejam dispostos a “promover nas respectivas comunidades” os “diferentes carismas, apoiando, animando e ajudando no discernimento para assim fazer resplandecer a sua beleza e santidade na Igreja”.