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sábado, 17 de novembro de 2012

O resgate e a proteção do Sagrado nos templos católicos


No dia 09 de novembro celebramos a festa da Dedicação da Basílica de Latrão, que é a Igreja do Papa e a Catedral das Catedrais, a Igreja Mãe de todas as Igrejas. Esta solenidade oportuniza um tema e assunto que precisa de uma retomada de consciência e atitude. As Igrejas para nós católicos são lugares sagrados, por serem dedicados a Deus e guardarem o Santíssimo Sacramento, acolhendo também a comunhão dos santos que para São Paulo era a família dos filhos de Deus ou seja todos nós. No entanto, de todos os templos religiosos, parece que por rotina ou costume impensada, se entra nas Igrejas Católicas como se fosse qualquer lugar, e ainda dentro delas, se conversa, se fuma ou até se conserva o chapéu na cabeça. É lamentável que esqueçamos que todo templo equivale a uma nova criação, que transparece o sinal da Jerusalém Celeste, e que em cada centímetro do seu espaço se respira a presença do Senhor. Deveríamos retomar a tradição respeitosa e devota de persignarmos e ajoelharmos ao entrar no recinto do templo fazendo com reverência e fé a genuflexão devida a presença do Santíssimo, e o mesmo ao sair depois certamente de agradecer com santo temor o encontro com a graça e a salvação divinas. As coisas santas são para os santos, neste ano da fé urge também uma catequese do sagrado, uma proteção, defesa e mistagogia que esclareça e explique cada símbolo e sinal da arquitetura, e espaço sacros. A liturgia bem celebrada e vivenciada começa com a percepção de termos entrado no umbral do divino, de estarmos como Moisés diante da sarça ardente, e por isso mesmo devemos tirar as sandálias do profano e do mundano. Nesse mesmo sentido se entende que não podemos trajar ou vestir de qualquer maneira no templo, e que o despudor ou a falta de recato sejam não só deselegantes mas pecados que ofendem o próprio Deus. O grande pensador católico Blondel se converteu diante do clima religioso e misterioso de Notre Dame em Paris. Quando guardamos a santidade dos templos e exercemos nesses recintos sagrados a música e a liturgia condizentes a majestade e soberania de Deus, estamos oferecendo a cada pessoa a experiência fascinante e tremenda do Deus vivo na sua Casa. Que nunca permitamos a profanação e a vulgaridade nos nossos templos, que sempre nos alegremos com a gloria divina que deve brilhar e preencher estes lugares, junto ao santo silêncio, que nos eleva e faz mergulhar em Deus. Que cada um de nós ajude a sustentar e manter a beleza, sacralidade e veneração dos nossos templos.
Deus seja louvado!
+Dom Roberto Francisco Ferreria Paz - Bispo Diocesano de Campos
Campos dos Goytacazes, 11 de Novembro de 2012.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dia Mundial de Oração pelos Jovens

             Mensagem Pastoral aos Jovens da Diocese de Campos

Amados jovens,

O Domingo de Ramos é o portal da Semana Santa; e a juventude cristã, como os meninos e adolescentes hebreus naquele dia em Jerusalém, é convidada a reconhecer e aclamar a Jesus como Salvador e Senhor das suas vidas. É o momento da confissão pública da fé, que nos leva a transformar toda a nossa vida em um seguimento alegre e comprometido a nosso Mestre e Libertador, Jesus Cristo.
Por isso, quero convidá-los com muito carinho e esperança para participarem como sujeitos e protagonistas da Jornada Mundial da Juventude, que se realizará no Rio de Janeiro em Julho de 2013. Para bem prepararmo-nos para esse evento de profundo impacto evangelizador e de edificação de uma Igreja jovem, viva e atuante, devemo-nos colocar a caminho; em processo de discipulado missionário. O primeiro grande passo será a celebração do 3° Congresso Diocesano da Juventude, que acontecerá em Miracema, no Domingo 22 de abril de 2012. Sei que posso contar com vocês, porque tenho claro que a juventude da Diocese, é a juventude do Papa, juventude que tem ideais, valores, entusiasmo, e orgulho de pertencer a Igreja Católica.
Esperando com muito anseio e como o coração transbordante de alegria o Congresso do dia 22 de abril de 2012, nos reencotraremos em Miracema.

Minha bênção e meu abraço a todos os jovens!

+ Dom Roberto Francisco Ferrería Paz
Bispo Diocesano de Campos

Campos dos Goytacazes, 1° de abril de 2012

domingo, 19 de fevereiro de 2012

O Carnaval

Por Dom Fernando Arêas Rifan
Ao lado de desfiles deslumbrantes das escolas de samba, com todo o seu requinte, riqueza de detalhes, fantasias fascinantes, desperdício de dinheiro, exposição de luxo, vaidade e também despudor, presencia-se festas mundanas, cheias de licenciosidades, onde se pensa que tudo é permitido. Nesses dias, a moral vem abaixo: até as pessoas mais sérias se mostram debochadas, a imoralidade e a libertinagem campeiam, a pureza perece e a tranquilidade desaparece. Infelizmente, há muito tempo que o Carnaval deixou de ser apenas um folguedo popular, uma festa quase inocente, uma brincadeira de rua, uma diversão até certo ponto sadia.
Segundo uma teoria, a origem da palavra "carnaval" vem do latim "carne vale", "adeus carne", pois no dia seguinte começava o período da Quaresma, tempo em que os cristãos se abstêm de comer carne por penitência. Daí  que, ao se despedirem da carne na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas, se fazia uma boa refeição, comendo carne evidentemente, e a ela davam adeus. Tudo isso, só explicável no ambiente cristão, deu origem a uma festa nada cristã.  Vê-se como o sagrado e o profano estão bem próximos, e este pode contaminar aquele. Como hoje acontece com as festas religiosas, quando o profano que nasce em torno do sagrado, o acaba abafando e profanando. Isso ocorre até no Natal e nas festas dos padroeiros das cidades e vilas. O acessório ocupa o lugar do principal, que fica prejudicado, esquecido e profanado.
A  grande festa cristã é a festa da Páscoa, antecedida imediatamente pela Semana Santa, para a qual se prepara com a Quaresma, que tem início na Quarta-Feira de Cinzas, sinal de penitência. Por isso, é a data da Páscoa que regula a data do Carnaval, que precede a quarta-feira de cinzas, caindo sempre este 47 dias antes da Páscoa.
Devido à devassidão que acontecem nesses dias de folia, os cristãos mais conscientes preferem se retirar do tumulto e se entregar ao recolhimento e à oração. É o que se chama "retiro de Carnaval", altamente aconselhável para quem quer se afastar do barulho e se dedicar um pouco a refletir no único necessário, a salvação eterna. É tempo de se pensar em Deus, na próprio alma, na missão de cada um, na necessidade de estar bem com Deus e com a própria  consciência. "O barulho não faz bem e o bem não faz barulho", dizia São Francisco de Sales.
Já nos advertia São Paulo: "Não vos conformeis com esse século" (Rm 12,2); "Já vos disse muitas vezes, e agorao repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso, apreciam só as coisas terrenas" (Fl 3, 18-19); "Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois a figura deste mundo passa".
Passemos, pois, este tempo na tranquilidade do lar, em algum lugar mais calmo ou, melhor ainda, participando de algum retiro espiritual. Bom descanso e recolhimento para todos!!

Fonte: Jornal Folha da Manhã, 15 de fevereito de 2012.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

O Perigo do "espiritualmente correto"

O Perigo do "espiritualmente correto" ou da religião chamada de "auto-ajuda"

Por Dom Roberto Ferrería Paz

Assim como o "politicamente correto" ou a justeza política tornou-se uma ferramenta ideológica para desconstruir a nossa cultura e impor um totalitarismo de gênero, destruindo a família e o casamento; de um tempo para cá tem surgido uma outra falácia ideológica, que visa a descontrução das tradições religiosas, que seriam substituídas por um espiritualismo vago e genérico que seria a religião essencial da humanidade.  De acordo com esta visão, o certo é ter espiritualidade e não religião, pois assim, cada indivíduo vai fazendo a sua como um bricolage (colar imagens e símbolos), escolhendo o que mais lhe aprazer ou sentir. Mas nós sabemos que Deus se revela e quer salvar a humanidade formando um povo, o povo da aliança.  Para o espiritualmente correto, o ensino religioso devia ser  ecumênico ou interreligioso, apresentando um Deus mingau e uma religião "salada de fruta", sincrética, sem eira nem beira. Já a nossa Constituição e tradição cristã, exige um ensino religioso com identidade  confissional, pois só podemos conhecer a Deus no contexto de uma religião e, só podemos dialogar a partir de identidades.  O partidário do espiritualmente correto afirma que o importante é o amor, esquecendo o discernimento de Santo Agostinho entre amor, Deus e o amor desmedido a si mesmo, este último se torna narcisismo egoísta, sendo escravo do eu sem limites. Já o amor de Deus  nos comunica o amor-agape, partilha, que nos torna humanos e fraternos.  Os seguidores deste espiritualismo vago defendem que a religião deve buscar  o conforto e o bem estar e a prosperidade da pessoa; para a tradição bíblica a religião deve em primeiro lugar amar e servir a Deus o bem supremo.  Finalmente, os atraídos por esta modalidade espiritual, gostam de experiências cumes; cultos emocionais e shows; para eles  a religiosidade é apenas adrenalina, pele, sensação. Para o culto cristão devemos adorar a Deus em espírito e verdade, glorificando a sua misericórdia e santidade.  Como vemos o "espiritualmente correto" termina no vazio, na auto complascência e o pior nos afasta do Deus verdadeiro. Deus seja louvado!

Fonte: Jornal Folha da Manhã, 12 de Fevereiro de 2012.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Dia de Reis!

Por Dom Fernando Rifan

Amanhã, 6 de janeiro, é o dia da Epifania do Senhor, que celebraremos no domingo dia 8. "Epifania" é uma palavra grega que significa "manifestação". Foi o dia da manifestação de Jesus como Salvador de todos os povos, na pessoa dos Reis do Oriente, os Magos, que vieram visitar o Menino Jesus em Belém, aliás, bem representados em grandes imagens na entrada de nossa cidade. Jesus não discrimina ninguém: no seu presépio vemos pobres e ricos, judeus e árabes. Todos são bem-vindos ao berço do "príncipe da paz".
Deus usa de vários meios para chamar a si as pessoas, meios adaptados à personalidade e às condições de cada um. Aos pastores, judeus, já familiarizados com as revelações divinas do Antigo Testamento, Deus chamou através  dos anjos, menssageiros da boa nova do nascimento de Jesus. Os Magos, porém, eram pagãos. Mas como eram astrônomos e astrólogos, Deus os chamou através de uma estrela misteriosa.
Era conhecida até entre os pagãos a profecia de que uma estrela misteriosa anunciaria a chegada do Salvador, esperado por todos os povos, que inauguraria uma nova era para toda a humanidade. Sábios observadores dos céus, os Magos observaram o aparecimento dessa estrela misteriosa. Ao mesmo tempo tocados pela graça divina, sentiram o chamamento de Deus para irem visitar o Salvador que a estrela anunciava. E partiram. Foram fiéis àquela graça de Deus. Essa resolução custaria sacrifícios, inerentes a uma longa viagem pelo deserto. Talvez a dúvida, a crítica de seus compatriotas, o medo da desilusão.  Mas nada disso os deteve.
Destes Santos Reis, nós aprendemos a lição de coragem e decisão: "Vimos sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo" (Mt 2,2). "Vimos e viemos", eis o que devemos fazer quando sentimos o chamado da graça de Deus em nosso coração. Coragem e decisão para superar as dificuldades inerentes a qualquer resolução de fazer o bem, a qualquer vocação.
Eles são também exemplo de Fé: seu comovente ato de Fé naquele Rei, de aparência tão pobre, que eles adoraram - "viram o Menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no" (Mt 2,11). Eles que só conheciam seu anúncio pela estrela. Não tinham ainda visto, como nós já conhecemos, seus ensinamento e seus milagres! E o viram com Maria, sua mãe. Ela foi a primeira catequista dos Magos, a primeira que lhes deu a conhecer quem era Jesus. É por ela que vamos a Jesus.
Misticamente exemplar também para nós foi a sua decisão de mudar de caminho e de vida, - "Regressaram ao seu país por outro caminho" (Mt2, 12). E no Oriente foram os primeiros propagadores  da Boa Nova, do Evangelho, que tinham conhecido nos seus primórdios. Esta mudança de caminho pode simbolizar a  conversão daqueles que encontraram Jesus e foram chamados a tornar-se os verdadeiros adoradores que Ele deseja (cf.Jo 4,23-24). Quando se encontra Cristo e se acolhe o seu Evangelho, a vida muda e somos estimulados a comunicar aos outros a própria experiência.

Fonte: Jornal Folha da Manhã do dia 04 de janeiro de 2012.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Supertições de Ano Novo

Quanto mais cresce o neo-paganismo de nossos dias, mas cresce também o esoterismo, o ocultismo, as superstições, etc. Foi assim no tempo do paganismo pré-cristão em Roma, Grécia, Egito, Babilônia, Éfeso, etc., e hoje se repete em novas metrópoles modernas.
Quando o homem não encontra o Deus verdadeiro, e não se entrega a Ele, então, fabrica o seu deus, à sua pequena imagem e semelhança; semelhante á pedra, ao cristal, à magia, etc.
Este deus é um deus “que lhe obedece” mediante algumas práticas rituais um tanto secretas, misteriosas e mágicas. Ele busca neste deus com pés de barro, o conhecimento do futuro ou as revelações do presente, de modo a ser feliz durante o Ano que surge.
Sobretudo na festa de Ano Novo os espíritos esotéricos se exaltam em busca das melhores condições para serem agraciados por seus deuses e pelos poderes ocultos do além. Para uns é a exigência de começar o Ano com o pé direito; para outro é estar de roupa branca, mesmo as mais íntimas, ainda que alma não esteja tão clara; para outro é pular as ondinhas do mar… e a pobre miséria humana multiplica as fantasias e suas falsidades.
O homem tem sede de Deus! Ou ele adora e serve ao Deus verdadeiro, “Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis”, como diz o Credo, ou passa a adorar e a servir a deuses falsos, mesmo que conscien­temente não se dê conta disso. E assim as seitas se multiplicam a cada dia.
Outros ainda, mais desorientados, correm atrás de horóscopos, de zodíacos, de mapas astrais, de cartomantes, de necromantes, de búzios, de umbanda, de macumba e de todos os tipos de ocultismos, ten­tando encontrar uma forma de satisfazer as suas necessidades.
Nas grandes e pequenas livrarias, proliferam todos esses tipos de livros, muito bem explorados por alguns escritores e editoras. Lamentavelmente, muitos cristãos (e até católicos!), por ignorância religiosa na sua maioria, acabam também seguindo esses caminhos tortuosos e perigosos para a própria vida espiritual.
A doutrina cristã sempre condenou todas essas práticas re­ligiosas. Já no Antigo Testamento, Deus proibiu todos os cultos idolátricos, supersticiosos e ocultos. O livro do Deuteronômio relata a Lei de Deus dada ao povo: “Que em teu meio não se encontre alguém que se dê à adivinhação, à astrologia, ao agou­ro, ao feiticismo, à magia, ao espiritismo ou à evocação dos mortos, porque o Senhor teu Deus abomina aqueles que se dão a essas práticas” (Dt 18,10-12).
É interes­sante que, logo em seguida, disse Deus ao povo: “Serás inteira­mente do Senhor; teu Deus” (Dt 18,13).
No livro do Levítico tam­bém encontramos: “Não vos dirijais aos espíritas nem aos adivinhos: não os consulteis, para que não sejais contaminados por eles. Eu sou o Senhor, vosso Deus” (Lv 19,31) e: “Não praticareis a adivinha­ção nem a magia” (Lv 19,26b).
A busca dessas práticas ocultistas revela grande falta de fé e confiança em Deus, já que a pessoa está buscando poder ou conhecimento do futuro, fora de Deus e contra a Sua vontade.
Ao cristão é permitido buscar unicamente em Deus, pela oração, todo consolo, auxílio e força de que necessita – e em nenhum outro meio ou lugar. São Paulo disse: “Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças” (Fl 4,6). E São Paulo advertiu severamente as comunidades cristãs de que fugissem da idolatria (cf. I Cor 10,14) e mais:
“As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios”
Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocara ira do Senhor?” (1 Cor 10,20-22)
Muitos católicos, por ignorância, quando não conseguem por suas orações as graças e favores que pedem a Deus, especialmente nos momentos difíceis da vida, perigosamente vão atrás dessas práticas supersticiosas proibidas pela fé católica, arriscando-­se, como disse São Paulo, a prestar culto ao demônio sem o saberem, magoando a Deus (cf. 1 Cor 10,20-22).

Quando Deus não atende um pedido nosso, Ele sabe a razão; e, se temos fé e confiança nEle, não vamos atrás de coi­sas proibidas. Toda busca de poder, de realização, de conheci­mento do futuro, etc., fora de Deus, sem que Ele nos tenha dado, é grave ofensa ao Senhor por revelar desconfiança nEle.
O Ano que começa é um grande presente de Deus para cada um de nós; e deve ser colocado inteiramente em Suas mãos para que Ele cuide de cada dia e de nós. Nada alegra tanto a Deus do que vivermos na fé.

Professor Felipe Aquino

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal!

Por Dom Fernando Arêas Rifan

O primeiro Natal, do qual celebraremos a memória no dia 25, foi realmente  alegre e feliz. Que alegria e que felicidade! Nasceu Jesus, o Messias prometido desde o Paraíso perdido, esperado pelos Patriarcas desde Adão, razão de ser do povo eleito, o Salvador da humanidade, o Senhor feito homem. E os anjos anunciaram aos pastores essa felicidade. A aparição da estrela misteriosa fez renascer a felicidade no coração dos Magos que vieram do Oriente.
Segundo a filosofia (Cícero e Boécio), felicidade é o estado constituído pelo acúmulo de todos os bens com a ausência de todos os males.
Então, como poderemos chamar feliz um Natal onde houve desprezo, rejeição - Jesus nasceu numa estrebaria por falta de lugar para Ele nas casas  e nas hospedarias -, lágrimas, gritos, morte, luto - Herodes, perseguindo Jesus, mandou matar as crianças de Belém - fuga, desterro, pobreza, sacrifícios?
Realmente, felicidade perfeita, na definição filosófica, só se encontrará no Céu, na Jerusalém celeste, onde Deus "enxugará toda a lágrima dos seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque tudo isto passou" (Ap 21,4).
É a grande lição do Natal: como se pode ser feliz no desterro, na dor, no desprezo, no luto, até com lágrimas, aqui na terra.
Aqui, a felicidade consiste em ter Jesus, em estar com Jesus, em amar Jesus de todo o coração, com a esperança de tê-lo perfeitamente um dia no Céu.
Aqui, o que faz a felicidade é a esperança: "alegres pela esperança, pacientes na tribulação" (Rm 12,12). O cristão é otimista pela esperança. É feliz porque espera. Mesmo quando sofre.Mesmo no meio dos sofrimentos, angústias e dores, pode-se ter a felicidade.
Por isso, o primeito Natal foi cheio de felicidade. A pobre estrebaria de Belém era o Céu. Ali faltava tudo e não faltava nada. Ali estava a felicidade que a todos encheu de alegria: Jesus.
O presépio de Belém é o princípio da pregação de Jesus, o resumo da sua boa nova, o Evangelho. Dali, daquele pequeno púlpito, silenciosamente, ele nos ensina o desprezo da vanglória desse mundo, o valor da pobreza e do desprendimento, o nada das riquezas, a necessidade da humildade, o apreço das almas  simples, a paciência, a mansidão, a caridade para com o próximo, a harmonia na convivência humana, o perdão das ofensas, a grandeza de coração, a pureza de alma. enfim, todas as virtudes cristãs que fariam o mundo muito melhor, se as praticasse.
É por isso que o Natal cristão é festa de paz e harmonia, de confraternização em família, de troca de presentes entre amigos, de gratidão e perdão. Pois é a festa daquele que, sendo Deus, tornou-se nosso irmão aqui na terra.
FELIZ E ABENÇOADO NATAL PARA TODOS!

Fonte: Jornal Folha da Manhã  do dia 21 de dezembro de 2011.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Advento

Por Dom Fernando Arêas Rifan

Estamos no tempo do Advento, preparação litúrgica para celebrar o Natal de Jesus. As pessoas começam a montar o presépio, cuja história devemos conhecer, como nos explica o padre Pietro Messa, franciscano da Pontifícia Universidade Antonianum de Roma.
Em 1223, exatamente no dia 29 de novembro, o Papa Honório III com a Bula Solet annuere aprovou definitivamente a Regra dos Frades Menores. Nas semanas seguintes Francisco de Assis dirigiu-se para o eremitério de Greccio, onde expressou seu desejo de celebrar o Natal naquele lugar. Para uma pessoa do local ele disse que queria ver com os "olhos de corpo" como o menino Jesus, na sua escolha de humilhação, foi deitado numa manjedoura. Para tanto, determinou que fossem levados para um lugar estabelecido um burro e um boi - que de acordo com a tradição dos Evangelhos apócrifos estavam junto do Menino - e sobre um altar portátil colocado na manjedoura foi celebrada a Eucaristia. Havia um paralelo entre a encarnação e a presença real de Jesus na Eucaristía. Mais tarde, acrescentaram as imagens que constituem o presépio, no sentido moderno, representando o Natal.
Francisco era um homem muito concreto e para ele era muito importante a encarnação, ou seja, o fato de que o Senhor fosse tangível por meio de sinais e de gestos, antes de mais nada , pelos sacramentos. A celebração de Greccio se coloca justamente neste contexto. Com a canonização de São Francisco, dois anos após sua morte, pelo Papa Gregório IX, sua devoção se espalhou por todo o mundo e também sua admirável invenção, o presépio. Desta forma se tornou patrimônio da cultura e da fé popular. A Igreja convida os fiéis a representar, construir e ter presépios em casa e em lugares públicos, porque ela sempre deu importância aos sinais, especialmente litúrgico-sacramentais, tendo sempre o cuidado de que não terminassem numa espécie de superstição. Alguns gestos foram encorajados porque eram considerados  adequados para a propagação do Evangelho e entre esses está justamente o presépio que , em sua simplicidade, dirige toda a atenção a Jesus.
E o presépio entrou na história da arte, pintando, esculpindo, narrando e musicando por inúmeros  artistas, porque , devido à sua plasticidade, o presépio presta-se  às representações na qual o particular pode se tornar o sinal da realidade quotidiana da vida. E exatamente esses detalhes da vida humana - os vestidos dos pastores, as ovelhas pastando, o menino preso à saia da mãe, etc - foram representados também como indícios ulteriores do realismo cristão que emana da Encarnação.
Como São Francisco, nós também precisamos de sinais, que pela sua simplicidade e imediatismo, têm ainda uma eficácia. Entre estes podemos colocar o presépio e, portanto seja sempre bem vinda a sua propagação.

Fonte: Jornal Folha da Manhã do dia 30 de novembro 2011.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

25 anos do Carmelo de Campos

Na última semana dedicada a celebrar o dom da vida consagrada, na Igreja e para a Igreja...", tivemos a alegria de festejar o Jubileu de Prata do Carmelo da Cidade de Campos. Foi erigido pelo 4°Bispo Diocesano de Campos, o Excelentíssimo Dom Carlos Navarro, com a participação do Carmelo de Pouso Alegre, tendo a reverendíssima Irmã Maria Terezinha de Jesus, atualmente com 88 anos, como uma das pioneiras. Cabe perguntar se hoje, que segundo o Papa Bento XVI, a cultura moderna apresenta a síndrome do eclipse de Deus, a amnésia e, até o banimento de Deus da sociedade, se esta iniciativa valeu a pena e, em que fez diferença. A resposta é:claro que sim.
A vida contemplativa é como uma fortaleza que irradia comunhão, paz, reconciliação no meio do barulho e vertigem do ritmo maluco de nossas cidades. É como um grito do absoluto e infinito, que irriga como o orvalho da graça e da benção a toda a comunidade eclesial e civil. O Carmelo nos lembra que Deus é nosso tudo, que não devemos perturbar-nos ou sermos reféns da ansiedade que nos devora, ou da depressão que nos tira a paixão e a alegria de viver. Sim, temos as monjas carmelitas no coração de Campos é saber que há almas bondosas e vigilantes, que intercedem por nós, que nos protegem, que nos defendem das insídias do inimigo e das suas tentações.
Nunca devemos esquecer que a grande batalha espiritual que se trava desde o início do mundo será vencida pela santidade e a caridade perfeita, que se forja e burila no silêncio dos claustros, na entrega total a Deus como supremo bem.
Longa vida ao Carmelo de Campos e que o Senhor continue a chamar jovens generosas para a maravilhosa aventura das profundezas da vida contemplativa."

Dom Roberto F.Paz
Bispo da Diocesano de Campos

Fonte: Jornal Folha da Manhã do dia 28 de agosto de 2011.


sábado, 13 de agosto de 2011

Entrevista com D.Roberto Francisco:parte II

Textos extraídos da Revista Somos Assim.

Sobre o homossexualismo:

"...Eu não vejo que a população gay seja excluída. O Brasil é o país  onde eles têm ganhado mais direitos civis.  E nós apoiamos os direitos civis e respeitamos a dignidade da pessoa. Eu não consideraria um grupo excluído, e sim discriminação, que é outra coisa.  Existem pessoas que os discriminam por serem gays.  Não admitem que existam pessoas que tenham essa condição, que não depende deles."

"... Eu diria que na maioria dos casos não depende, não é uma opção.  Ninguém decide ser homossexual. Mas isso não sou eu que digo, está no Catecismo da Igreja Católica. O que nós propomos, o que o cristianismo propõe a eles, é um caminho que se chama castidade, como é para os solteiros heterossexuais, também. Ou seja, lidar de uma forma responsável com a sua afetividade. Eles (gays) não estão excluídos do amor, nem da Igreja."

"... O ato genital homossexual para nós cristãos é contra a natureza, porque não consegue reunir as duas finalidades do ato conjugal, que são o amor e a transmissão da vida. Eles não conseguem. O ato genital para eles não é com órgãos que estão constituídos  para isso.  Mulher com mulher não há órgão. Que genitália o senhor está falando? Poderá ser de, digamos, outro tipo, mas não é a genitália que, biologicamente falando, foi constituída para transmitir a vida, para  reproduzir. No caso deles, não podemos dizer que este ato conjugal seja "segundo a natureza". Nós seguimos o direito natural da criação. Deus criou assim."

"... Acho que eles estão ganhando o direito que merecem."

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Entrevista a D.Roberto Ferrería Paz

Textos extraídos da entrevista feita pela Revista Somos Assim:

Quanto aos excessos na Santa Missa e Liturgia:
"... nós não fizemos nada de novo, simplesmente recordamos o que está  na própria liturgia católica.  Porque a palma, em si, não é um sinal litúrgico.  Segundo: em certos momentos é totalmente inadequado.  Por exemplo na Quaresma, na Sexta-Feira Santa, Missa de Morto, com o corpo presente, você vai bater palma? Quer dizer tratamos de limitar ao momento de glória, ao momento dos santos... Não proibir.  Mesmo porque as proibições, assim, são vistas como imposições... O que nós queremos é "salvaguardar o sagrado".  Porque é uma tentação muito grande, é tornar a missa um espetáculo, um show.  A emoção, evidentemente tem que ser trabalhada, evangelizada.  Mas não pode ser a missa por adrenalina."

"... Tudo é questão de medida.  Deve haver momentos de silêncio. Corremos o risco de confundir a fé com os sentimentos externos. A fé não é isto. Segundo: depender de emoções que são muito ambiguas.  De fato, estas pessoas que batem palmas, choram, muitas vezes têm uma espiritualidade muito sensível ao impacto, mas não aprofundam a fé e são manipuláveis. Qualquer líder as faz acreditarem em qualquer coisa. Então, a religião cristã não vive de emoções baratas; mas de amor - de amor responsável."

"... A liturgia romana, por exemplo, mostra justamente a beleza do equilíbrio e da sobriedade. Tudo o que se faz na liturgia deve nos levar a Deus. O importante não somos nós - é Deus que deve operar. Aliás, tem aquela piada: "numa dessas igrejas, estava-se ouvindo gritos muito fortes. E então uma pessoa que passava perguntou: O que está acontecendo? O obreiro que estava na porta disse assim: Deus está operando nesse momento. O cara disse: Então ele está operando sem anestesia." (risos)