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quinta-feira, 19 de março de 2015

Os três pregos na Cruz

O sorriso de Madre Teresa de Calcutá, sempre presente em toda e qualquer circunstância de sua vida, mesmo durante aqueles períodos de "noite escura", dos quais a bem-aventurada se lembrava com angústia em suas cartas, ainda hoje é capaz de impressionar. Quem olha para a imagem da beata enxerga o rosto de uma pessoa que, deixando-se consumir totalmente pelo fogo divino, fez desta nossa peregrinação terrestre um ato contínuo de amor e entrega a Deus. Ou seja, encontrou a felicidade, completando na própria carne as dores que faltaram aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja (cf. Cl 1, 24).
Certamente, um modelo de vida semelhante pode causar, não obstante admirações, grandes perplexidades. Ainda mais em uma sociedade que já não sabe lidar com o sofrimento. Como é possível ser feliz na dor? A resposta a essa pergunta está na cruz. A alegria do homem é fazer a vontade de Deus. Contudo, por se tratar de algo nem sempre fácil — ao contrário, consiste muitas vezes em um verdadeiro martírio —, o cumprimento dessa vontade exige um desprendimento heroico acerca de todo e qualquer apego, seja material seja afetivo. O exemplo primordial de abnegação vem, sobretudo, de Cristo no Horto das Oliveiras. Suando sangue, o Senhor diz: "Pai, se é de teu agrado, afasta de mim este cálice! Não se faça, todavia, a minha vontade, mas sim a tua" ( Lc 22, 42).
Na vida de todos os santos se constata essa atitude do Jesus agonizante que, mesmo sofrendo, se regozija por cumprir o desejo do Pai. A confiança em Deus desperta no ser humano o dom do olhar sobrenatural, o qual ilumina o caminho para a verdadeira glória do céu. Como costumava dizer Santa Teresa d'Ávila, esta vida é como uma noite ruim, numa ruim pousada [1]. Nossa meta definitiva é, verdadeiramente, a eterna casa do Pai. Aqui, somos somente estrangeiros. Por isso São Paulo e Silas, dentro da prisão, mesmo diante da possibilidade da morte, cantavam um hino a Deus (cf. At 16, 25). Eles estavam convictos daquilo que Nossa Senhora também prometera em Lourdes a Santa Bernadette: "Não lhe prometo a felicidade neste mundo, somente no outro" [2].
Com efeito, o desapego das coisas puramente terrenas deveria ser uma meta para todo cristão decidido a agradar somente a Deus. "Quem me dera não estar atado senão por três pregos, nem ter outra sensação em minha carne que a Cruz" [3]. Era o que constantemente pedia São Josemaria Escrivá em suas meditações diárias. Neste propósito, o santo do cotidiano em nada menosprezava as obrigações e responsabilidades diárias do homem perante a sociedade. É fato que um verdadeiro cristão deve agir bem em todas os ambientes, transformando-os em ocasião de adoração perpétua a Deus. O que São Josemaria pedia era a graça de enxergar tudo como oportunidade de oblação ao Senhor, a sempre lembrar-se de que o fim de todas as nossas ações só pode ser um: o encontro com Jesus.
Foi este pensamento que encantou a então filósofa ateia Edith Stein, e a fez abandonar suas raízes judias para tomar o hábito das carmelitas. Ela compreendeu a ciência da cruz, por assim dizer, descobrindo o significado salvífico e redentor da paixão de Cristo. "O que nos salvará não serão as realizações humanas, mas a paixão do Cristo, na qual quero ter parte" [4]. Com estas palavras, a futura santa Teresa Benedita da Cruz renunciava ao seu prestigioso nome, à sua posição ao lado de um dos maiores filósofos modernos — Edmund Husserl —, aos seus bens materiais, a fim de alcançar a sétima morada, isto é, a plena conformação à vontade divina. A 2 de agosto de 1942, irmã Teresa cumpria seu desejo de tomar parte na paixão de Cristo, oferecendo-se em holocausto, durante o martírio no campo de concentração nazista, em Auschwitz.
Na homilia de sua canonização, o Papa João Paulo II assim descreveu o itinerário de conversão da santa [5]:
O amor de Cristo foi o fogo que ardeu a vida de Teresa Benedita da Cruz. Antes ainda de se dar conta, ela foi completamente arrebatada por ele. No início, o seu ideal foi a liberdade. Durante muito tempo, Edith Stein viveu a experiência da busca. A sua mente não se cansou de investigar e o seu coração de esperar. Percorreu o árduo caminho da filosofia com ardor apaixonado e no fim foi premiada: conquistou a verdade; antes, foi por ela conquistada. De facto, descobriu que a verdade tinha um nome: Jesus Cristo, e a partir daquele momento o Verbo encarnado foi tudo para ela. Olhando como Carmelita para este período da sua vida, escreveu a uma Beneditina: "Quem procura a verdade, consciente ou inconscientemente, procura a Deus".
A beleza do sorriso de Madre Teresa, o canto de Silas e São Paulo, a santificação no meio do mundo de São Josemaria Escrivá, o martírio de Santa Teresa Benedita da Cruz. Todas essas realidades, cuja eloquência do testemunho não nos deixa indiferentes, têm sua origem e fim no desprendimento das coisas da terra. Quem coloca seu coração em Deus transmite a luz de Cristo em sua face e atrai os outros para o céu — "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim", escreve São Paulo aos Gálatas (2, 20).
A única coisa que deve nos prender a este mundo são os três pregos da cruz. Essa é a nossa meta cristã.
Fonte: https://padrepauloricardo.org/blog

quinta-feira, 12 de março de 2015

O Desejo de encontrar Deus


“A quem iremos? A Peregrinação e a experiência da fé”

Por Padre Carlos Cabecinhas (reitor do Santuário de Fátima)


  “A peregrinação é uma experiência religiosa universal”, não sendo um exclusivo do cristianismo, já que “todas as grandes religiões conhecem a prática da peregrinação”. A diferença cristã está em que “ao contrário do que acontece, por exemplo, no Islamismo ou no Judaísmo, no cristianismo a peregrinação não é um dever, é sempre ato livre, que brota da vontade do próprio crente”.
Num percurso pela história da espiritualidade e pelos elementos constitutivos do ato peregrinante, sendo eles “o peregrino, o caminho e o lugar santo ou santuário, meta da peregrinação”, o padre Carlos Cabecinhas concluiu que “a peregrinação pode definir-se como viagem por motivo religioso em que é a motivação que a distingue de outro tipo de viagem” 
Que motivações levam alguém a peregrinar?
Para o Reitor podem ser diversas: “Uma motivação é pedir uma graça específica: uma cura, uma iluminação, um novo impulso espiritual. Outra é a gratidão: vai-se em peregrinação agradecer uma graça recebida. Há peregrinos que se lançam ao caminho com sentido penitencial, para expiar os próprios pecados mas, sobretudo, para poder recomeçar. Porém, uma das razões principais que leva o peregrino a partir em peregrinação, e que é transversal às outras motivações apresentadas, é o desejo de encontrar Deus de forma mais direta do que na vida ordinária e a convicção de que isso é mais fácil na caminhada e em certos lugares específicos”.
Outra abordagem realizada pelo conferencista aconteceu por meio de um percurso pelos principais textos bíblicos com narrações ou descrições relacionadas com experiências de peregrinação nas Escrituras. 
“O caminho para Deus não é um conjunto de normas ou de leis: o caminho é uma pessoa, Jesus Cristo, porque é o único mediador entre Deus e o homem e constitui o único acesso a Deus”, concluiu o Reitor.
Quanto às dimensões mais importantes para uma espiritualidade da peregrinação, o Reitor do Santuário de Fátima destaca seis: a dimensão escatológica, a penitencial, a festiva, a cultual, a apostólica e a de comunhão.
“Na peregrinação a Fátima, a dimensão penitencial é particularmente importante. Na homilia do dia 13 de maio de 1982, o Papa João Paulo II afirmava: ‘A mensagem de Fátima, no seu núcleo fundamental, é o chamamento à conversão e à penitência […] O chamamento à penitência, como sempre, anda unido ao chamamento à oração’”, disse.
Quanto às quatro etapas da peregrinação, “são um paradigma da vida de fé: a partida, a caminhada, a permanência no Santuário, meta da peregrinação, e o regresso”. 
“O momento do regresso não é simplesmente uma despedida do santuário, a assinalar o fim da peregrinação: é sobretudo um envio, uma missão”.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

O que é o ano da Vida Consagrada?



O Papa Francisco quis destacar novamente a relevância do Ano da Vida Consagrada que começou no dia 30 de novembro, primeiro domingo do Advento e terminará no dia 2 fevereiro de 2016, enviando uma carta a todos os consagrados.
Na carta, o Santo Padre deseja que os consagrados “despertem o mundo”, pois a principal característica da vida consagrada é a profecia. A carta enumera os objetivos da celebração e se inspira na Exortação “Vida Consagrada” que São João Paulo II publicou em 1996.
Para o Santo Padre existem, sobretudo, três objetivos na realização da própria vocação. Entre eles, “olhar o passado com gratidão” para “manter viva a própria identidade, sem fechar os olhos para as incoerências, fruto das fraquezas humanas, e inclusive de qualquer esquecimento de alguns aspectos essenciais do carisma”.
O segundo objetivo é “viver o presente com paixão”, assim como “o Evangelho em plenitude e com Espírito de comunhão” e por último, como o terceiro objetivo está “abraçar o futuro com esperança, sem desanimar–se por tantas dificuldades que se encontram na vida consagrada a partir da crise vocacional”.
Por outro lado, o Papa adverte que não se deve “ceder à tentação dois números e da eficiência, e menos ainda à tentação de confiar nas vossas próprias forças”.
“A inventiva da caridade não conheceu limites e soube abrir inúmeras estradas para levar o sopro do Evangelho às culturas e aos setores sociais mais diversos”. Por isso, “saber transmitir a alegria e a felicidade da fé vivida na comunidade faz a Igreja crescer por capacidade de atração”.
O Santo Padre reconheceu que “é o testemunho do amor fraterno, da solidariedade, da partilha, o que dá valor à Igreja. Uma Igreja deve ser forjada por profetas, e como tal, capaz de perscrutar a história em que vive e interpretar os acontecimentos, denunciando o mal do pecado e das injustiças”.
Na carta, o Papa espera que os consagrados não vivam das “utopias”, mas saibam criar “outros lugares” onde se viva a “lógica evangélica do dom, da fraternidade, da diversidade, do amor recíproco”.
Para o Papa, o Ano da Vida Consagrada é uma ocasião propícia para que haja uma “colaboração estrita entre as diferentes comunidades” na “acolhida dos refugiados, na proximidade aos pobres, no anúncio do Evangelho, e na iniciação à vida de oração”.
Na carta, o Papa também dirige umas palavras aos leigos que, junto aos consagrados “compartilham ideais, Espírito e missão”.
Por outro lado, o Pontífice pede aos bispos que estejam dispostos a “promover nas respectivas comunidades” os “diferentes carismas, apoiando, animando e ajudando no discernimento para assim fazer resplandecer a sua beleza e santidade na Igreja”.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A Humildade

Elevou os humildes
“A humildade, dizia São Gaspar, é a mãe de todas as virtudes”. É o terreno fértil, que permite às sementes lançar raízes, germinar e chegar à maturação. Sem humildade no coração, nada nasce. Quando o Filho de Deus, o Sumo Bem, “desceu” ao meio dos homens para salvá-los, procurou a colaboração de pessoas humildes, disponíveis, com os pés bem na terra. De maneira especial, dirigiu seu olhar para um casal jovem, Maria e José, que resplandeciam pela humildade. Entre os dois, ela cheia de graça, o havia atraído porque cantava: “Minha alma engrandece o Senhor... que olhou para a pequenez de sua serva. Ela sabia que o que estava acontecendo não era por merecimento seu, e sim por dom gratuito de Deus: “Grandes coisas realizou em mim o Onipotente.”
Maria e José estavam conscientes da grandiosidade da missão que lhes fora confiada, e juntos, acolheram com simplicidade e generosidade e protegeram o filho misterioso que com o poder do amor “derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes.” A esses não promete glórias e bens humanos, mas o Reino dos céus, isto é, o privilégio da intimidade com Deus. Nazaré, a cidadezinha insignificante de onde não poderia sair nada de bom, é o lugar onde cresce o filho do carpinteiro, despido de sinais externos extraordinários. A pequena e simples moradia dessa família excepcional esconde o segredo de Deus que, para salvar a humanidade, se manifesta em forma humana e humilhou-se fazendo-se obediente até a morte na cruz. Por isso Deus o exaltou...” São Gaspar nos propõe uma doutrina profunda sobre a necessidade fundamental desta disposição de ânimo e exorta-nos a ambicionar, humildemente, coisas grandiosas, pois para isso Deus nos chamou. É válida, ainda hoje, a humildade?
A humildade é hoje considerada como algo degradante e não condizente com a dignidade humana. A mentalidade hodierna não reconhece a humildade como virtude e menospreza o “diminuir-se”. Ambiciona os postos de maior prestígio, quer aparecer, “subir” sempre mais. A palavra “humildade vem do latim “humus” (terra) e, segundo Santo Isidoro, indica o comportamento espiritual de quem não se distancia muito da terra, mas se volta para o baixo.  
A humilhação injusta
É aquela que se caracteriza pelo aniquilar alguém com violência e prepotência. Deus castiga os prepotentes que humilham os semelhantes. “Depôs os poderosos de seus tronos. ” Isto aconteceu ao rei Nabucodonosor que dizia: “ subirei aos céus, bem acima das estrelas de Deus;” foi condenado a alimentar-se de capim, durante sete anos, como um boi. Os nossos primeiros pais, que quiseram tornar-se semelhantes a Deus, conhecendo o bem e o mal, foram humilhados por Deus e expulsos do paraíso cobrindo sua nudez com folhas. 
A humilhação voluntária
Pode ser boa ou má. Humilham-se de maneira má os pecadores, quando desonram a si mesmos e se animalizam. Davi afirma: “Na prosperidade o homem perde o bem do intelecto, torna-se igual aos animais que perecem. Ao contrário, humilha-se de maneira boa quem se abaixa de conformidade com a razão. Consciente das próprias limitações, o homem não se exalta,  mas permanece no seu verdadeiro lugar, o último. Assim aconteceu com Abraão, ele disse ao Senhor: “Vede como ouso falar com o meu Senhor, eu que sou pó e cinza.” Esta é humildade virtuosa, santa e digna de louvor. 
A falsa humildade
É importante distinguir bem a humildade verdadeira, da falsa. A falsa caracteriza-se por atitudes puramente  externas. Santo Agostinho afirma que tal humildade é, na realidade, uma grande soberba porque tenta, com um comportamento hipócrita de submissão, alcançar o píncaro da glória. Criados para grandes coisas São Tomás assim define a humildade verdadeira: é a virtude que freia  e modera as aspirações exageradas do homem. Que o mundo com sua sabedoria oposta à do Espírito, não venha dizer que a humildade se opõe à magnanimidade, isto é, ao espírito empreendedor e à grandeza de coração que se projeta para coisas grandiosas, e que a humildade, ao contrário, as evita. A humildade e a coragem buscam, juntas, coisas grandiosas. A humildade acalma os desejos exagerados, a magnanimidade impulsiona o espírito, de maneira racional, para os grandes empreendimentos. O homem, na verdade, foi criado para ideais grandiosos: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” e é chamado, de conformidade com a perspectiva de sua vocação, para aspirações ainda maiores: para a glória de Deus. 
No cristianismo, os fiéis são exortados a conquistar os melhores e maiores bens: “Aspirai aos carismas melhores”, diz São Paulo. Deus, não só não tem inveja do homem, mas o auxilia a alcançar essa grandeza e o exorta a não perde-la para não prejudicar seu projeto. Como essa grandeza é um bem precioso, tem em si uma força de atração formidável sobre nossas aspirações; o resultado, chama-se: esperança. Neste bem altíssimo existe, porém, alguma coisa que amarra o ser humano: é a dificuldade em atingi-lo; esta
dificuldade traz consigo a tentação do desencorajamento. Por isso, são necessárias, quando se trata de um bem de tal valor, tanto a humildade quanto a magnanimidade que, unidas com companheiras e irmãs inseparáveis, nos ajudem. Falsa, portanto, é a calúnia que o mundo assaca contra a humildade, como se ela inibisse a coragem e colocasse o medo no coração do homem. Humildade e magnanimidade não se contrapõem É bem verdade, porém, que buscar as coisas grandes, confiando só nas próprias capacidades, é contrário à humildade, é ambição.
Que alguém, confiando no auxílio de Deus, procure coisas mais elevadas, não é contra a humildade; ao contrário, justamente por isso será exaltado por Deus, de maneira especial, aquele que se submete a Ele com humildade: “quem se humilha, será exaltado.” Santo Agostinho ensina: “uma coisa é elevar-se até Deus, outra é levantar-se contra Deus, se te prostras diante Dele, Ele te eleva; se tu te levantas contra Ele, Ele te prostra.” A humildade é verdadeira Sabeis qual a audácia é inibida pela humildade? A vã, a vazia, a presunçosa, que se chama soberba, com ela os pecadores buscam a glória e as grandezas mundanas. A humildade é verdade. Esta impede que as pessoas se elevem acima de si mesmas ou se abaixe além do que é conveniente; isto seria degradação e repulsa. A humildade, ao contrário, coloca a pessoa e a conserva no seu devido lugar, previsto por Deus em seu projeto. Santo Tomás escreve que a humildade se caracteriza especialmente pela submissão do homem a Deus, e em vista dele, submete-se humildemente também a outros homens. Esta é a submissão prevista no projeto de Deus: à grandeza do ser humano e à ordem estabelecida, pelo próprio criador, para a natureza.
 Pe. Bruno Facciotti, CSS 
Fonte: http://luzdavida.org.br/formacao/formacao-humana/4673-humildade

quarta-feira, 30 de julho de 2014

A mortificação, escada para subir ao Céu

Embora seja contraditória, tem atraído muitas pessoas a ideia de um Cristianismo sem sofrimento, sem penitências nem mortificações. Não se fala mais da necessidade de renunciar a si mesmo e tomar a própria Cruz [1], embora tenha sido o próprio Cristo a sublinhar tal obrigação. Não se ostenta mais a figura de Jesus Crucificado nas paredes de construções e nem mesmo nas igrejas, como se a constante lembrança das dores de Cristo fosse penosa ou até perigosa para as pessoas.
É, de fato, um ditado bastante repetido: “Falar só de dor e sofrimento afasta as pessoas da Igreja”. Mas, onde está a caridade daqueles que calam tais temas apenas para manter o número de fiéis? É certo que o homem moderno não quer ouvir falar dessas coisas – antes, prefere que adociquem sua boca com o mel das novidades e dos prazeres. Mas a religião católica tem que ver com as vontades e preferências do mundo ou, antes, com a vontade e o reinado de Deus? A fé cristã tem que ver com o que o homem deseja ou com o que o homem verdadeiramente precisa?
Rebate-se: “Mas, o homem precisa sofrer?” Na verdade, a pergunta está mal colocada. Não é que o ser humano precise sofrer; é que ele precisa amar. E, novamente – afinal, sempre convém repetir –, neste mundo, não é possível que sejamos privados de sofrer simplesmente porque não podemos ser dispensados de amar. Não é que a religião cristã seja “masoquista” ou cultue a dor; é que foi esse o meio que Cristo escolheu para amar-nos e é também o meio pelo qual nós devemos amá-Lo. “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti” [2], diz Santo Agostinho. Não basta que o sangue de Cristo tenha sido derramado por todos; é preciso que aproveitemos de Sua eficácia, associando a nossa liberdade à ação da graça divina.
Neste tema, adverte o padre Garrigou-Lagrange, é preciso evitar dois extremos perigosos: o primeiro, menos comum, é o rigorismo jansenista, que apregoa a prática de árduas mortificações sem considerar a razão para isso, como que numa tentativa de alcançar o Céu por forças puramente humanas. Com isso, perde-se de vista “o espírito da mortificação cristã, que não é soberba, senão amor de Deus” [3].
O segundo erro a ser evitado parece dominar o mundo de hoje: trata-se do naturalismo prático. Com os argumentos já apresentados acima, essa tendência reduz a fé cristã a um bom mocismo, ignorando – ou fingindo ignorar – as consequências do pecado original sobre o gênero humano.
Nessa brincadeira perigosa, nem as palavras de Jesus contam mais. O Cristo que adverte para arrancarmos de nós os olhos e as mãos, se são para nós ocasião de queda, porque “é melhor perderes um de teus membros do que todo o corpo ir para o inferno” [4]; o Cristo que pede que ofereçamos a face esquerda a quem bater em nossa direita, que entreguemos o nosso manto a quem nos tirar a túnica, que andemos dois quilômetros, ao invés de um só [5]; o Cristo que alerta para não jejuarmos “de rosto triste como os hipócritas” [6], “só para serdes notados” [7], é solenemente ignorado pelos naturalistas, que preferem fundar para si uma nova religião: a de um deus leniente com o pecado, com a indolência e com a preguiça espiritual.
É preciso deixar muito claro que não é possível construir um “novo” caminho diferente do que indicou Jesus e do que trilharam os Santos. “Mirabilis Deus in sanctis suis”, diz a Vulgata: “Deus é maravilhoso nos Seus santos” [8]. E eles não passaram por outra via senão a da mortificação. Como se explica, por exemplo, que uma Santa Catarina de Sena tenha começado tão cedo a flagelar-se e a fazer jejuns rigorosos [9]? Que, defender a sua pureza São Francisco se tenha revolvido na neve, São Bento se tenha jogado num silvado e São Bernardo tenha mergulhado num tanque gelado?
A chave para todas essas penitências é o amor, que não pode ser vivido neste mundo sem que crucifiquemos a nossa carne. Santo Afonso de Ligório ensina que “ou a alma subjuga o corpo, ou o corpo escraviza a alma”. São Bernardo respondia aos que zombavam dos penitentes do seguinte modo: “Somos em verdade cruéis para com o nosso corpo, afligindo-o com penitências; porém mais cruéis sois vós contra o vosso, satisfazendo a seus apetites nesta vida, pois assim o condenais juntamente com a vossa alma a padecer infinitamente mais na eternidade”.
Por que não se fala mais dessas coisas em nossas igrejas? Porque, infelizmente, quase nenhum espaço foi preservado desse maldito naturalismo, que pretende “inventar a roda” moldando um Cristianismo sem Cruz.
Para viver, é necessário mortificar-se, morrer mesmo, como o grão de trigo de que fala o Evangelho [11]. As verdades que Cristo pregou do alto da montanha continuam válidas para hoje e, como diz Santa Rosa de Lima, “fora da Cruz não existe outra escada para subir ao Céu”.
Por Equipe Christo Nihil Praeponere

Referências

  1. Cf. Lc 9, 23
  2. Santo Agostinho, Sermão 169, 13 (PL 38, 923)
  3. Reginald Garrigou-Lagrange, Las Tres Edades de la Vida Interior, II, 2, 2. Arquivo em PDF, p. 166
  4. Mt 5, 30
  5. Cf. Mt 5, 39
  6. Mt 6, 16
  7. Mt 6, 1
  8. Sl 67, 36
  9. Cf. Santa Catarina de Siena, a voz profética de Deus
  10. Cf. Jo 12, 24

sábado, 26 de julho de 2014

A destruição arquitetada por um anjo

Em uma das muitas alocuções que proferiu, o Papa Pio XII indicou o caminho que o demônio pavimentou, ao longo da história, para destruir o homem, criado à “imagem e semelhança” de Deus [1]:
“Ele se encontra em todo lugar e no meio de todos: sabe ser violento e astuto. Nestes últimos séculos tentou realizar a desagregação intelectual, moral, social, da unidade no organismo misterioso de Cristo. Ele quis a natureza sem a graça, a razão sem a fé; a liberdade sem a autoridade; às vezes a autoridade sem a liberdade. É um ‘inimigo’ que se tornou cada vez mais concreto, com uma ausência de escrúpulos que ainda surpreende: Cristo sim, a Igreja não! Depois: Deus sim, Cristo não! Finalmente o grito ímpio: Deus está morto; e, até, Deus jamais existiu. E eis, agora, a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre bases que não hesitamos em indicar como as principais responsáveis pela ameaça que pesa sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus. O ‘inimigo’ tem trabalhado e trabalha para que Cristo seja um estranho na universidade, na escola, na família, na administração da justiça, na atividade legislativa, na assembleia das nações, lá onde se determina a paz ou a guerra.” [2]
A primeira coisa que Pio XII faz é colocar as pessoas diante do “nemico”. O Papa quer convencer os homens de que a obra de destruição que se apresenta aos seus olhos não é fruto do acaso ou, como pregam os progressistas, do zeitgeist – o “espírito dos tempos”. Trata-se, de verdade, de um empreendimento demoníaco. Há, por trás de toda a confusão e barbárie deste e de outros séculos, uma inteligência angélica, que, desde que caiu, trabalha incessantemente para perverter a obra da Criação e fazer perder as almas que Cristo conquistou com o Seu sangue, na Redenção.
Como explicar que o projeto de um anjo se torne tão concreto e visível no decorrer da história, só é possível a partir dos agentes humanos que, juntamente com o demônio, bradaram “non serviam”, a fim de servirem ao mal. Embora seus destinos eternos estejam nas mãos de Deus – e só Ele possa dizer se o “oitavo sacramento”, a ignorância invencível, os salvou –, suas obras humanas denunciaram clamorosamente sua identidade. Do Imperador Nero, no século I, passando pelos iluministas anticristãos, até Karl Marx e seus seguidores, muitos foram os homens que aderiram abertamente ao projeto do mal e muitos foram os passos dados rumo ao “amor de si até ao desprezo de Deus” [3].
É verdade que, hoje, tantas coisas más e perversas que os homens cometem ganham gentilmente outros nomes. Hoje sequer se ouvem mais as palavras “pecado” ou “erro”. Todas as ações humanas transitam entre o “conveniente” e o “socialmente inapropriado”, entre o “agradável” e o “politicamente correto”. Só que nem mil jogos de palavras podem mudar ou desfazer a realidade das coisas. Conscientemente ou não, quem quer que trabalhe para implantar no mundo um “sistema de pecado” – como é o caso de organizações que financiam o aborto, de grupos que querem a destruição da família e de religiosos que pedem a implantação de uma religião única e mundial, sem Cristo e sem a Igreja – está trabalhando para Satanás.
As palavras não são exageradas. O próprio Jesus não poupou palavras para denominar os mentirosos: “Vós tendes como pai o demônio e quereis fazer os desejos de vosso pai”. Semelhantes palavras podem ser dirigidas a quem, obstinado no mal, opera incansavelmente para defender a morte e a mentira, obras daquele “era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade” [4].
É verdadeiramente monstruosa a construção – ou a destruição – que os filhos das trevas fazem no mundo. No entanto, não é sadio que os cristãos se detenham diante dessa imensa Babel, nem que cruzem os braços, inertes. Afinal, “todas as coisas” – inclusive a ação dos anjos decaídos – “concorrem para o bem dos que amam a Deus” [5]. Os filhos de Deus não devem temer: nas batalhas desta vida, são guiados e amparados por “aquela misteriosa presença de Deus na história, que é a Providência” [6]. https://padrepauloricardo.org/blog
Referência: 1.Gn 1, 26; 2.Pio XII, Discorso agli uomini di Azione Cattolica, 12 ottobre 1952; 3.Santo Agostinho, De Civitate Dei, 14, 28; 4.Jo 8, 44 ; 5.Rm 8, 28; 6.Centesimus Annus, 59

sábado, 14 de junho de 2014

A copa no céu, mas o gol é na terra!

              “Não vamos conseguir mudar nada, mas ao menos eu fiz a minha parte...”
A maioria de nós já ouviu esta frase (e mais de uma vez!). Mas o fato de ela ser comum, não faz com que seja espiritualmente menos doente.
Mas me entendam bem.
É verdade que “passa a figura deste mundo” e que devemos lutar para alcançar o prêmio celeste. É também verdade que sonhar com um paraíso utópico neste mundo não faz parte da esperança cristã.
Mas Nosso Senhor nos deu esta vida para vivê-la! Por isto, a esperança da vida no céu não nos autoriza a desistir da vida na terra. Não é cristão praticar uma “eutanásia espiritual” de nossos projetos aqui neste mundo. A luta contra a maldade e a promoção do bem comum tem que obter resultados e não somente nos santificar!
Se sou cristão, eu tenho que desejar que o mundo ao meu redor vá ficando um pouco melhor. Deus me colocou neste mundo para ser um instrumento EFICIENTE em suas mãos.
Devo confessar, porém, que eu também já fui atacado por este demônio, por esta tentação do “não adianta!...”. E o que não me deixou cair?
Claro! Deus e sua graça, a Virgem Maria, os anjos, os santos, a vida espiritual e... (você vai se surpreender!)... o testemunho dos leigos.
Homens e mulheres de Deus me demonstraram, com a vida, que devo esperar contra toda esperança (cf. Rom 4, 18).
É o casal de noivos que aguarda o matrimônio na castidade mas, desde já, adota uma criança salva do aborto. O professor que, com o apoio de mulher e filhos, deixa a direção de uma escola renomada para se dedicar à defesa da vida e da família. O empresário que, enfrentando os limites da saúde física, volta a estudar para melhor servir. A especialista em bioética que enfrenta o furor das feministas. O doutor que renuncia a um brilhante carreira acadêmica para ajudar os irmãos. (“Eu era um porco gordo! Precisava dar meu toicinho aos outros”).
Até no campo da política, onde eu achava que já estava tudo perdido, Deus me fez viajar alguns milhares de quilômetros ao lado de um deputado para chegar à conclusão: a vida de um leigo pode evangelizar um padre!
Às portas do Campeonato Mundial de Futebol, o testemunho destes leigos e leigas me recordam o que eu devo fazer para receber uma copa, um troféu, quando chegar na Pátria do céu: preciso jogar no time que faz gols aqui na terra!
“Corro, mas não sem rumo certo. Dou golpes, mas não no ar” (1Cor 9, 25-27).
 
Por Padre Paulo Ricardo de Azevedo Júnior
https://padrepauloricardo.org/blog

sexta-feira, 9 de maio de 2014

De tudo oferecei um Sacrifício

Hoje: 6° dia da Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima, na Capela da Comunidade Aliança Eterna. Início 19h, em seguida Santa Missa.

Pedir aos Pastorinhos, crianças pequena e ainda sem grande entendimento dos mistérios da fé, que de tudo oferecessem sacrifícios, pode - nos parecer algo de exagerado. Contudo, o Céu nunca se engana nas mensagens que faz chegar até nós. E esta, aparentemente estranha para as crianças, é extraordinariamente importante e rica de conteúdo.
Sabemos que foi o sacrifício de Jesus Cristo, a sua imolação e morte na cruz, imolação por amor, que nos remiu e salvou. O sacrifício pelo sacrifício não vale por si mesmo. A dor pela dor não tem sentido cristão. Mas Jesus, tem valor salvífico. E o de Jesus se vai renovando em cada altar, na celebração da Eucaristia, que é verdadeiro sacrifício eucarístico.
O Jesus Sofredor e Imolado em sacrifício comporta em Si mesmo todos os sacrifícios da sua vida, todas as dores: as da fome, da sede, do trabalho, dos cansaços, das caminhadas, das noites mal dormidas, das calúnias, das perseguições, das traições, dos insultos, das negações, de todos os passos da paixão. Tudo é assumido por Ele como oferta redentora ao Pai, para salvação da Humanidade. Todos os sofrimentos estão unidos ao da Cruz e, hoje, o altar, ao do sacrifício eucarístico.
Daí que, olhando Jesus em sua vida mortal, vida em sacrifício e em dor, em privações e dificuldades, em trabalho e em andanças apostólicas difícies, podemos entender melhor o que o Anjo exortou os Pastorinhos a fazer: " de tudo oferecei um sacrifício".  E parece ser claro que as palavras do Anjo não foram só entendidas como a necessidade de fazer "penitências corporais", mas de oferecer sacrifícios de tudo o que viviam e faziam.
É verdade que os Pastorinhos, pela exortação feita pelo Anjo, se determinaram a fazer penitências físicas. Dão a merenda a outras crianças e até às ovelhas e fazem a penitência de não a comerem. Passaram um mês de agosto sem beber água, apesar do calor e da sede que sofriam. Usaram uma corda à cintura que lhes provocava dores e feridas, para reparar os pecados, crimes, sacrilégios, ultrajes e indiferenças, para ajudar a converter pecadores, para alcançar a paz para o mundo, etc.
O Anjo, ao especificar "de tudo", quis dizer, parece-nos que todas as coisas que custam, que doem, que são menos agradáveis, que trazem algum cansaço ou dor podem e devem ser oferecidas, ser "sacrifício" unido ao de Jesus Sofredor e Vítima na Cruz e na Eucaristia, que renova a oblação do Calvário. Este "tudo" faz-nos viver em estado de "hóstia viva" , como diz S.Paulo, em "oferenda permanente", em "martírio branco", pois o pegar na cruz a cada instante e levá-la por amor, é verdadeiro "martírio branco" contraposto ao vermelho, que é o sangue derramado em martírio, até a morte.

Fonte: Orai! Orai muito! Orações e Ensinamentos do Anjo (Fátima - 1916) - Dário Pedroso, S.J.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

"Santos Óleos"

A Missa da unidade ou dos “Santos Óleos” acontece na Quinta-feira Santa, mas por motivos pastorais, esta celebração poderá ser antecipada. A Missa da Unidade reúne em torno do Bispo o clero da diocese (padres e diáconos) e todo o povo de Deus, ou ao menos uma boa representação das comunidades paroquiais que formam a diocese. Uma vez que esta missa caracteriza-se como uma grande ação de graças a Deus pela instituição do ministério sacerdotal na Igreja, nela, os padres presentes renovam as promessas sacerdotais.

Qual o significado do óleo?

A palavra “Óleo” é de origem latina, “oleum”, derivada do grego “élaion”, que faz referência ao óleo extraído dos olivais (élaia).
Este tem a finalidade de fazer brilhar o rosto (Sl 103,15) e é símbolo da alegria (Sl 44,8). Ser ungido pelo óleo significa a consagração de um ser a Deus, em vista da realeza, do sacerdócio ou de uma missão profética (Ex 29,7). Mesmo edifícios e objetos podem ser consagrados com a unção do óleo (Gn 28,18). O ungido por excelência é o Messias, o Cristo, que é o Rei, o Sumo Sacerdote e o Profeta. Símbolo da alegria e da beleza, sinal de consagração, o óleo também alivia as dores e fortalece os cristãos, tornando-os mais ágeis e menos vulneráveis.

Quais são os óleos usados na Liturgia?

Na Liturgia da Igreja evidencia-se três óleos: Óleo dos ENFERMOS, Óleo dos CATECÚMENOS e Óleo do Santo CRISMA. Os dois primeiros Santos Óleos são abençoados, e o terceiro é consagrado pelo Bispo celebra com todo o seu presbitério na Quinta-feira Santa pela manhã (ou outro dia pastoralmente propício).
O Óleo dos Catecúmenos concede a força do Espírito Santo àqueles que serão batizados, para que possam como Cristo, serem fortalecidos contra mal. Na falta deste óleo, outro poderá ser abençoado pelo padre antes de ser usado. O batizando é ungido com o óleo dos catecúmenos, no peito.
O Óleo dos Enfermos, que em caso de necessidade poderá ser abençoado pelo padre antes da unção do enfermo, é um sinal sensível utilizado na Unção dos Enfermos, que traz o conforto e a força do Espírito Santo para o doente no momento de seu sofrimento. O doente é ungido na fronte e na palma das mãos.
O Santo Crisma é um óleo perfumado, utilizado nas unções consecratórias dos seguintes sacramentos:
· depois da imersão nas águas do batismo, o batizado é ungido na fronte;
· na Confirmação é o símbolo principal da consagração, também na fronte;
· depois da Ordenação Episcopal, sobre a cabeça do novo bispo;
· depois da ordenação sacerdotal, na palma das mãos do néo-sacerdote.

Também é usado em outros ritos consecratórios, como na dedicação de uma Igreja, na consagração de um altar, quando o Santo Crisma é espalhado sobre o altar e sobre as cruzes de consagração que são colocadas nas paredes laterais das igrejas dedicadas (consagradas). Os Santos Óleos, de modo particular o Santo Crisma, têm caráter sacramental. Antigamente, os Óleos eram guardados dentro de um pequeno sacrário, costume este que está voltando em muitas comunidades, como sinal de respeito.

Fonte: Pe.Crimário Verdan

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Não temais

 Muitas vezes nos aparecem, na Escritura, as palavras "não temais". Foi assim a Zacarias, quando lhe apareceu o Anjo, foi assim à Virgem Maria, quando lhe apareceu o Arcanjo Gabriel na cena da Anunciação. Foi assim, mais tarde, quando Jesus apareceu aos discípulos. O Céu quer sempre dar paz e tranquilidade, não vem nunca nos meter medo, pavor, para nos perturbar. 
Aos Pastorinhos de Fátima o Anjo começa por dizer: "não temais". O Anjo vem do Céu, de junto de Deus para dar o que lá se vive: amor, comunhão, paz, tranquilidade. "Não temais", apesar de nunca terdes visto um Anjo. "Não temais", porque vos venho dar a esperança e a paz de Deus que me enviou. "Não temais", pois Deus vos ama e está sempre do vosso lado. "Não temais", pois Jesus Cristo prometeu estar sempre convosco. "Não temais", pois Jesus soube vencer o demônio, a morte, Ele é o Rei e Senhor da vida, do amor. "Não temais", pois do Céu só podem vir palavras e atitudes de amor, de doação amorosa, de convite à confiança. "Não temais", mesmo quando caís no pecado, pois se tiverdes arrependimento, a misericórdia é sempre mais abundante que o pecado e o mal. "Não temais", pois Deus não é vingativo, justiceiro, carrasco. "Não temais", pois Deus, com seu amor de Pai, só quer o vosso bem, a vossa salvação, a vossa paz, a vossa felicidade.
A alma do mundo está doente, o coração do mundo está doente. Precisamos de escutar mais vezes as palavras do Anjo: "Não temais", nem perante o mal, o demônio, a violência.... Deus está  convosco, Deus está em vós, Deus é a vossa força. O Salmo nos diz que o Senhor é sempre o nosso refúgio, o nosso rochedo, a nossa força e proteção. Confiar n`Ele entregar-nos a Ele, viver a certeza do seu amor é fonte de tranquilidade, de mansidão, de serenidade interior e exterior.

Fonte: Orai! Orai muito! - Orações e Ensinamentos do Anjo (Fátima -1916) . Dário Pedroso, S.J.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Milagre Eucarístico de Bruges

Os mais antigos documentos respeitantes ao Santo Sangue de Bruges, Bélgica, remontam a 1256. O Santo Sangue, provavelmente fazia parte de um grupo de Relíquias sobre a Paixão de Cristo que se conservavam no Museu Imperial de Bucoleon, em Constantinopla. Em 1203, Constantinopla foi sitiada e conquistada pelos croatas. Balduíno IX, Conde da Flandres, depois de ter sido coroado o novo imperador, envia a Relíquia do Preciosíssimo Sangue para a sua pátria em Bruges.
  Recentemente foram realizadas análises na garrafa de cristal de rocha, contendo o Santo Sangue. A datação da garrafa remonta ao XI século. É também certo que a garrafa foi executada numa área próxima de Constantinopla. Mesmo que na Bíblia nunca tenha sido mencionado explicitamente que o Sangue de Cristo tenha sido guardado, num dos Evangelhos Apócrifos, diz-se que José de Arimatea conservou algumas gotas de Sangue de Jesus. Segundo uma antiga tradição, o Conde Diederik van den Elzas levou a garrafa contendo o Sangue de Cristo, de Jerusalém para Bruges na segunda cruzada. Recentes investigações, porém, puseram em evidência o facto de que a Relíquia ter chegado a Bruges mais tarde, possivelmente por volta de 1250, e que provinha de Constantinopla.


 A adoração da Relíquia é a origem da famosa procissão internacional que se faz todos os anos, através das ruas da cidade, no dia da festa da Ascensão. Os cidadãos de Bruges vestem-se com fatos históricos e reproduzem cenas bíblicas e a chegada do Conde da Flandres que transporta a Santa Relíquia.

quinta-feira, 6 de março de 2014

O Tempo da Quaresma

 
Estamos iniciando o período da Quaresma, novo período que revela-nos de novo que Jesus carregando a cruz aos ombros, tomou sobre si, por amor, o sofrimento de todos os homens em todas as épocas, portanto também o teu e o dos teus. E ensina-te, como deve ser a tua resposta a Jesus. Tens que transformar todas as dores do teu corpo e da tua alma, desde a mais pequena até a maior, em oferta para Jesus, para que Ele, depois de vinte séculos, possa continuar em ti a sua Paixão pela redenção do mundo.
Jesus no seu grito, "Pai, porque me abandonastes", exprimiu o sofrimento mais elevado da humanidade, separada de Deus pelo pecado. Ele, embora unido inseparavelmente ao Pai, sentiu este abandono na sua alma. Todos os pecadores estiveram presentes naquele momento, também tu, pois Deus quis que Jesus unisse toda a humanidade e formasse o seu Corpo Místico. Se um dia te sentires abandonado por todos, caindo sobre ti mesmo uma doença incurável, se um dia não encontrares saída para o teu desespero, pensa em Jesus abandonado.
Ele já incluiu no seu sofrimento também o seu. Agora tu tens que unir o teu com o sofrimento dele e derramar o teu sangue em favor da humanidade.
Descobre Jesus não só no teu sofrimento mas também no sofrimento de outros tantos irmãos teus, que vivem perto ou longe  de ti: nos pobres, nos doentes, nos errantes, nos órfãos, nos humilhados e nos que têm fome... O sofrimento da humanidade é só uma aparência visível: invisívelmente, atrás destas aparências, encontra-se o próprio Jesus, o verdadeiro Deus, que é também paz, luz e alegria no sofrimento.
Deus quer hoje cristãos que procurem e amem a Jesus crucificado e abandonado nos próprios pecadores, nos que fomentam ódio, distúrbios...Quer cristãos que, não com críticas, mas com a aceitação da cruz das mãos do Pai, salvem seus irmãos.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

O que faze para alcançar o Céu?

Santo Alberto, pediu que Jesus o explicasse o mais importante para alcançar a Glória, e disse que não largaria a Hóstia Consagrada até que Jesus o explicasse, assim um pedaço da Hóstia se desprendeu.
Santo Alberto ouviu Jesus:
1) O importante é o que se faz agora em nossa vida, por amor a Jesus. O que de fato é agradável a Deus? Não viver somente em uma rotina cristã. "Pecadores sim, corruptos não". Alcançar a perfeição.
2) Se durante a tua vida derramar uma única lágrima pela minha paixão, do que depois alguém chorar por ti. Celebrar a Passio Domini.
3) Se levantar durante a noite para orar, do que mandar um exército contra os não crentes. O que vale é a nossa ação cristã. Todos nós temos que fazer coisas preciosas aos olhos de Deus. Fazer aquilo que me custa.
4) Não pensar, nem falar mal de ninguém. Falar coisas que edificam. Devolver algo a quem é de direito é mais  válido do que doar algo.
5) Por amor a Mim, perdoar os teus inimigos. Ao invés de fazer promessas.
6) Contar algo de bom a alguém ou lhes ler um livro religioso, isso é mais agradável do que jejuar por 7 anos a pão e água. Dar aos outros o que tocou o nosso coração.
7) Se te considerar a mais pequena das pessoas e o maior dos pecadores, é mais agradável do que construções.
8) Pedir e rezar pelos outros.
9) Deixar os prazeres por causa de Jesus, deixar as comodidades. Quais as minhas dependências que me atrapalham a viver? Será que por amor a Deus não podemos fazer algo heróico?

Palestra de Pe.Bonifacius -ORC
Retiro Geral da OSA - Fátima-Portugal 29/11/13

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Caridade

Esse vídeo (baseado em uma história real) mostra a disponibilidade, despreendimento e amor de uma jovem estudante que em um dia encontrou abandonada em um local de lixo um bebê, sentiu compaixão e decidiu criá-la como filha, sem ninguém saber que ela não era sua  filha biológica. Sofreu preconceitos por parte de todos, pois muitos achavam que ela era mãe solteira, mas mesmo assim nunca contou a verdadeira história.Vejam que a jovem alterou toda a sua vida em função da criança, colocou a menina para estudar no mesmo colégio...
A menina já maior demonstra todo o amor pela jovem mãe dedicada. A Caridade vai muito além de doações de dinheiro ou bens materiais, o valor da caridade está em se doar pelo outro, está na disponibilidade de servir e amar, mesmo que isso lhe custe sacrifícios pessoais.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Sete frutos do Sacrifício

 As palavras do Anjo de Portugal acerca do sacrifício formaram uma luz que produziu sete santos efeitos nos pastorinhos. O ensinamento acerca do sacrifício, quando acolhido profundamente na alma com amor, ajuda o homem em primeiro lugar a entender Quem é DEUS, porque "DEUS é o amor". Se nunca tivermos passado pela experiência do transbordar do amor e da Sua bondade ao temo-nos doado a nós mesmos em amor que se sacrifica, como será possível compreendermos verdadeiramente o amor? Todo o mundo egoísta deseja amor, porém, não compreende o que vem a ser o amor, já que este só poderá ser entendido na doação de si mesmo e no sacrifício.

A graça de DEUS bate secretamente em nosso coração e torna-nos capazes de amá-LO e de nos darmos a ELE. Na medida do sacrifício do nosso coração, somos capazes de receber a DEUS em nossa alma. Em segundo lugar, somente aqueles que se abriram têm a experiência do amor ardente a DEUS e o compreendem, amando-O tão ardentemente quanto ELE nos ama. E, em terceiro lugar, compreendem o quanto ELE, por Sua vez, deseja ser amado por nós. Uma alma muito santa,repleta de amor a DEUS, perguntava ao seu director espiritual: "Como é que DEUS é capaz de me amar assim tanto?" Ele apenas pode responder que o amor de DEUS é infinito, porque DEUS é o amor infinito. E, na sua sublimidade acima de todos os outros amantes, DEUS é completamente livre na escolha do Seu amor, pois é do Seu agrado dar; ELE ama para dar: àquele a quem ELE ama, ELE dá quanto pode, de maneira que ELE sempre os pode amar mais ainda. "Dai e vos será dado; será derramada no vosso regaço uma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, pois com a medida com que medirdes sereis medidos também" (Lc 6, 38).
Em quarto lugar, a alma compreende que o crescimento no amor é peregrinação espiritual que requer tanto o pé esquerdo da oração, como o pé direito do sacrifício.
Quantas almas se empenham em corresponder ao pedido da Mãe de DEUS que nos apela à oração, mas, mesmo assim, quase não apresentam progressos! O seu conhecimento de DEUS mal supera uma luz turva, nem falar duma chama ardente de amor. A causa de tudo isto reside no facto de que essas pessoas rezam sem acrescentarem à oração uma medida correspondente de sacrifícios. É como se o seu pé direito estivesse pregado no chão e o seu movimento fosse a vida inteira em círculo ao redor de si mesmas, sem entretanto, avançarem no amor de DEUS e ao próximo como deveriam. Mas a alma que já iniciou o seu progresso no caminho da oração e do sacrifício -mesmo que fosse com pequenos passos- rapidamente descobre o valor do sacrifício. E esta é a quarta luz. Mais tarde, os pastorinhos teriam a oportunidade de ver o fruto das suas orações e sacrifícios na forma de inúmeras conversões. Todavia, a beleza da luz transmitida pelo Anjo na força do ESPÍRITO SANTO consistia no facto de ter sido infundida directamente no seu espírito, ou, conforme Lúcia disse, havia sido "gravada indelevelmente", e com tanta clareza, que os pastorinhos como que reconheceram essas verdades em DEUS.
 
Em quinto lugar, tornou-se-lhes claro o quão agradável é o sacrifício a DEUS, e, em sexto lugar, que o sacrifício tem o poder de alcançar a conversão dos pecadores. Mesmo que já tivéssemos de "saber" isso quando pensamos na morte redentora de CRISTO, -"Por isto, o PAI ama-Me, porque dou a Minha vida, para tornar a tomá-la" (Jo 10,17) tal saber especulativo deve penetrar até ao coração, a fim de moldar as nossas convicções mais profundas.
Somente quando a "verdade do nosso espírito" se tornar um "bem" de nossa vontade é que a nossa fé se manifestará em grandes actos de amor. O Anjo transmitiu aquela luz amorosa e aquela graça à qual elas, em sétimo lugar, responderam com um zelo incansável na oração e no sacrifício: "E, desde aí, passávamos largo tempo assim prostrados repetindo-as (as palavras do Anjo), às vezes, até cair cansados".
Lúcia descreve muitos sacrifícios que eles se impunham para a conversão dos pecadores. Davam o seu almoço a algumas crianças pobres da redondeza. Em vez da sua refeição habitual, comiam sementes de carvalho e bolbos silvestres colhidos por eles mesmos. Muitas vezes, até no torturante calor do verão, passavam o dia todo sem um único gole de água. Por iniciativa própria, "inventaram" o cinto da penitência, que lhes deveria causar dores e incómodos para que assim tivessem algo que oferecer a DEUS e a Nossa Senhora pelos pecadores.
Tornaram-se verdadeiramente insaciáveis na ânsia de aplacar a sede do Senhor pela salvação dos pecadores. Nisso podemos ver o verdadeiro heroísmo de Lúcia, Jacinta e Francisco, em comparação com o qual as nossas modestas mortificações parecem apagadas. O Anjo estava presente invisivelmente e ajudava-os em todas as suas iniciativas. O que Lúcia declara acerca da ajuda do Anjo num determinado período da sua vida, tem validade para toda a nossa vida: "Nesses dias, fazíamos as acções materiais como que levados por esse mesmo ser sobrenatural (o Anjo) que a isso nos impelia". A ajuda do Anjo sempre nos é oferecida. Nós, entretanto, devemos mostrar-nos dignos da mesma através de um zelo santo nas coisas de DEUS. Então tornar-se-ão verdadeiras as palavras de Santo Inácio de Loyola: "As pessoas que estão empenhadas intensamente na purificação dos seus pecados e que no serviço ao Senhor passam do bom para o melhor ... é próprio do Espírito Bom inspirar-lhes coragem e força, consolos, lágrimas, advertências e calma, facilitando a transpor todos os obstáculos ou retirando-os para que sempre mais se avance na prática do bem" (Exercícios espirituais, parágrafo 315).

 http://cumsanctisangelis.blogspot.com.br/2012/01/o-anjo-de-fatima-um-mestre-no-amor.html

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

E agora José?

Belém do Pará,   - Dom Alberto Taveira Côrrea - Zenit.com

A expressão é de um conhecido poema de Carlos Drummond de Andrade, mas a mesma pergunta pode ser feita ao José de Nazaré ou a tantos "Josés", presentes dentro de nós e em torno a nós. Depois do Natal e das festas que correm, o que fazer da vida e como aproveitar as muitas lições do ano que termina? Se o cenário do Natal é carregado de ensinamentos, pedimos hoje licença às outras figuras nele presentes, para contemplar, de modo especial, o homem a quem foi confiada a guarda da Sagrada Família, inspirados por palavras de fogo e simplicidade pronunciadas pelo Papa Francisco, quando começou seu ministério de Sucessor de Pedro:
 "Como vive São José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projeto dele que ao seu. Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é "guardião", porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação! Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Gênesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus" (Homilia do Papa Francisco - Praça de São Pedro - Terça-feira, 19 de março de 2013, Solenidade de São José).
E agora? O que fazer do ano que está para começar? O primeiro passo é reconhecer que o tempo e as capacidades foram dadas de presente. Deus não precisa fazer previsões, mas oferece um momento depois do outro, com calma, até para permitir-nos curtir cada dia sua riqueza e possibilidades para a nossa felicidade. E sabemos que se o Senhor não construir a casa, em vão trabalham os que a edificam (Cf. Sl 126, 1). Para isso, o ano há de ser preenchido com escuta e fidelidade à Palavra de Deus e discernimento dos sinais que ele envia, sabedoria para colher as lições de cada acontecimento. Cada fato alegre ou triste é carregado de sentido e de apelos de Deus.
O José que está dentro de cada um de nós há de escolher, para ser feliz, a missão de guardião ou guardiã. Faz bem e realiza a existência de uma pessoa quando esta assume responsabilidades, olhando ao redor, para descobrir o bem a ser feito. O guardião toma iniciativa para praticar o bem, começa em si mesmo a mudança do mundo e não deixa qualquer pessoa ou situação sem a marca de sua presença. A sujeira da rua, o trânsito, as plantas e, mais ainda, as pessoas, são de nossa responsabilidade. Todas as oportunidades sejam aproveitadas para fazer o bem e construir um mundo melhor.
São José guardou a Sagrada Família. Uma bela proposta para o ano novo, olhando para seus exemplos e contando com sua intercessão, é trabalhar por valores que alguns consideram tradicionais no sentido negativo. Recordo-me de uma belíssima canção do Padre Zezinho: "Agora falam do desquite e do divórcio, o amor virou consórcio, compromisso de ninguém. E há tantos filhos que bem mais do que um palácio gostariam de um abraço e do carinho entre seus pais. Se os pais se amassem, o divórcio não viria, chamam a isso de utopia, eu a isso chamo paz". Volto ao Papa Francisco: "É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais".  Faço um apelo a valores tradicionais, no sentido bem positivo e provocante. Trata-se de uma campanha pela família e pelo matrimônio, justamente no ano em que acontecerá um Sínodo Extraordinário dos Bispos sobre a Família e a Nova Evangelização. Redescobrir na família os valores da fidelidade, da fecundidade e da intimidade, tudo fecundado por uma vida de oração e comunhão com a Igreja.
Nossa vida é tecida por relacionamentos com as outras pessoas. Quanta gente nova entrou com tudo em nosso coração no ano que termina! Com São José aprendamos a "viver com sinceridade as amizades, que são um guardar-se mutuamente na intimidade, no respeito e no bem". No ano que vai começar, cultivar o trato de pessoa por pessoa, aprofundar as amizades verdadeiras, alegrar-se com elas. Mais dos que as listas existentes em nossos aparelhos, que constituem comunidades virtuais, trazer estes nomes para a realidade concreta, visitar, ajudar, ouvir, manifestar ternura e misericórdia. Se cada pessoa for ao encontro, pelo menos uma vez no ano, de cada um de seus contatos de lista, muito teremos feito para um mundo mais fraterno e justo. Haverá mais gente feliz!
Como bom programa do tempo novo que é dado por Deus, "cada qual veja bem como está construindo. De fato, ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que já está colocado: Jesus Cristo. Se então alguém edificar sobre esse alicerce com ouro, prata, pedras preciosas ou com madeira, feno, palha, a obra de cada um acabará sendo conhecida: o Dia a manifestará, pois ele se revela pelo fogo, e o fogo mostrará a qualidade da obra de cada um. Aquele cuja construção resistir ganhará o prêmio; aquele cuja obra for destruída perderá o prêmio – mas ele mesmo será salvo, como que através do fogo (1 Cor 3, 10-13).

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Porque Jesus salvou os pecadores?

Nos seus “Sermões sobre o Natal e a Epifania”, São Leão Magno, Papa e doutor da Igreja (440-461): “Gloriava-se o demônio porque o homem, enganado por seu ardil, estava privado dos dons divi­nos e, despojado da imortalidade, encontrava-se sujeito a uma dura sentença de morte; assim, tendo um companheiro de pre­varicação, encontrava algum alívio em seus males (…).”
“Cristo nasceu de uma virgem para “ocultar ao demônio que a salvação nascera para os homens, a fim de que, ignorando a geração espiritual, não julgasse que havia nascido de modo diferente aquele que via semelhante aos outros. Notando que Sua natureza era igual a de todos, supunha que Sua origem fosse a mesma; e não percebeu que estava livre dos laços do pecado aquele que não encontrou isen­to da fraqueza dos mortais.”
“Deus não recorreu a Seu poder; mas a Sua justiça. Pois o antigo inimigo, em seu orgulho, reivindicava com certa razão seu direito à tirania sobre os homens e oprimia com po­der não usurpado aqueles que havia seduzido, fazendo-os pas­sar voluntariamente da obediência aos mandamentos de Deus para a submissão à sua vontade. Era portanto justo que só per­desse seu domínio original sobre a humanidade sendo venci­do no próprio terreno onde vencera”.

 “Conhecendo o veneno com que corrompera a natureza humana, jamais (o demônio) jul­gou isento do pecado original aquele que, por tantos indícios, supunha ser um mortal. Obstinou-se pois o salteador impru­dente e cobrador insaciável em se insurgir contra aquele que nada lhe devia; mas, ao perseguir n’Ele a falta original comum a todos os outros homens, ultrapassa os direitos em que se apoi­ava, exigindo daquele em quem não encontrou vestígio de culpa a pena devida ao pecado."

 “Fica portanto anulada a sentença (cf. Cl 2,14) do pacto mortal que ele havia maldosamente ins­pirado e, por ter exigido contra a justiça além do que era devi­do, todo o débito é cancelado. Aquele que era forte é amarra­do com seus próprios laços. (…) O príncipe deste mundo é acorrentado, são-lhe tirados seus instrumentos de captura (…) a morte é destruída por outra morte, o nascimento renovado por outro nascimento, porque ao mesmo tempo a redenção põe fim a nosso cativeiro, a regeneração transforma nossa ori­gem e a fé justifica o pecador.”
Ele veio para tirar o homem das trevas e o mundo da desgraça; Ele veio para nos devolver a vida que nunca acaba; Ele veio para dar sentido a todas as coisas.
Celebrar o seu Natal é se alegrar com sua chegada e o receber com um coração puro e disposto a fazer a sua vontade.

Professor Felipe Aquino