sexta-feira, 9 de maio de 2014

De tudo oferecei um Sacrifício

Hoje: 6° dia da Novena em honra a Nossa Senhora de Fátima, na Capela da Comunidade Aliança Eterna. Início 19h, em seguida Santa Missa.

Pedir aos Pastorinhos, crianças pequena e ainda sem grande entendimento dos mistérios da fé, que de tudo oferecessem sacrifícios, pode - nos parecer algo de exagerado. Contudo, o Céu nunca se engana nas mensagens que faz chegar até nós. E esta, aparentemente estranha para as crianças, é extraordinariamente importante e rica de conteúdo.
Sabemos que foi o sacrifício de Jesus Cristo, a sua imolação e morte na cruz, imolação por amor, que nos remiu e salvou. O sacrifício pelo sacrifício não vale por si mesmo. A dor pela dor não tem sentido cristão. Mas Jesus, tem valor salvífico. E o de Jesus se vai renovando em cada altar, na celebração da Eucaristia, que é verdadeiro sacrifício eucarístico.
O Jesus Sofredor e Imolado em sacrifício comporta em Si mesmo todos os sacrifícios da sua vida, todas as dores: as da fome, da sede, do trabalho, dos cansaços, das caminhadas, das noites mal dormidas, das calúnias, das perseguições, das traições, dos insultos, das negações, de todos os passos da paixão. Tudo é assumido por Ele como oferta redentora ao Pai, para salvação da Humanidade. Todos os sofrimentos estão unidos ao da Cruz e, hoje, o altar, ao do sacrifício eucarístico.
Daí que, olhando Jesus em sua vida mortal, vida em sacrifício e em dor, em privações e dificuldades, em trabalho e em andanças apostólicas difícies, podemos entender melhor o que o Anjo exortou os Pastorinhos a fazer: " de tudo oferecei um sacrifício".  E parece ser claro que as palavras do Anjo não foram só entendidas como a necessidade de fazer "penitências corporais", mas de oferecer sacrifícios de tudo o que viviam e faziam.
É verdade que os Pastorinhos, pela exortação feita pelo Anjo, se determinaram a fazer penitências físicas. Dão a merenda a outras crianças e até às ovelhas e fazem a penitência de não a comerem. Passaram um mês de agosto sem beber água, apesar do calor e da sede que sofriam. Usaram uma corda à cintura que lhes provocava dores e feridas, para reparar os pecados, crimes, sacrilégios, ultrajes e indiferenças, para ajudar a converter pecadores, para alcançar a paz para o mundo, etc.
O Anjo, ao especificar "de tudo", quis dizer, parece-nos que todas as coisas que custam, que doem, que são menos agradáveis, que trazem algum cansaço ou dor podem e devem ser oferecidas, ser "sacrifício" unido ao de Jesus Sofredor e Vítima na Cruz e na Eucaristia, que renova a oblação do Calvário. Este "tudo" faz-nos viver em estado de "hóstia viva" , como diz S.Paulo, em "oferenda permanente", em "martírio branco", pois o pegar na cruz a cada instante e levá-la por amor, é verdadeiro "martírio branco" contraposto ao vermelho, que é o sangue derramado em martírio, até a morte.

Fonte: Orai! Orai muito! Orações e Ensinamentos do Anjo (Fátima - 1916) - Dário Pedroso, S.J.

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